A Unimed do Brasil inicia hoje a gestão da carteira de 344 mil usuários da Unimed Ferj, após determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida busca evitar o colapso na assistência diante da crise financeira que afeta a Ferj, cuja rede credenciada vem sofrendo sucessivas reduções desde que assumiu os beneficiários da Unimed-Rio no ano passado. Apesar da intervenção, ainda não está definido se a Unimed do Brasil assumirá integralmente a operação ou se repassará a administração a outra cooperativa do sistema.
O acordo não prevê migração da carteira, mas um compartilhamento de risco. A Unimed do Brasil ficará com 93% da receita das mensalidades, percentual que cairá para 90% a partir de outubro de 2026. Com essa fatia, caberá à operadora a responsabilidade pelos serviços assistenciais, incluindo a relação com prestadores, repasse aos médicos cooperados e pagamento de reembolsos. Os 7% restantes continuarão com a Unimed Ferj, destinados exclusivamente ao pagamento de dívidas acumuladas até 30 de novembro.
A situação da rede credenciada é grave. Segundo a Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), a dívida da Unimed Ferj ultrapassa R$ 2 bilhões, levando à suspensão de atendimentos em diversas unidades. Em fevereiro, a Rede D’Or deixou de atender pacientes da Ferj. Em setembro, hospitais das redes Pró-Cardíaco, Vitória, São Lucas e Santa Lúcia também cortaram o pronto-socorro para parte dos beneficiários. O descredenciamento mais recente, anunciado nesta terça-feira, envolve 13 unidades da Rede Casa e do Grupo Prontobaby, que somam a maior fatia dos prestadores da Ferj.
O comunicado conjunto das instituições informa a suspensão de todos os atendimentos adultos e pediátricos de emergência, exames e cirurgias eletivas. As unidades incluem hospitais como Casa Premium, Casa São Bernardo, Casa de Portugal, Casa Evangélico, além do Prontobaby e seu braço de homecare. Cerca de 800 pacientes que já estavam internados ou em atendimento domiciliar seguirão assistidos.
Para localizar alternativas, a Ferj orienta que os usuários consultem o guia médico no site oficial e destaca que ainda possui prontos atendimentos próprios em Copacabana, Barra da Tijuca e Méier. Ainda não está claro se a transição no controle da carteira alterará a gestão das unidades próprias, incluindo o Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, hoje arrendado à Ferj mas de propriedade da Unimed-Rio.
A carteirinha permanece a mesma, com inicial 0972, e os canais de atendimento não mudam. Em relação aos boletos, a partir de hoje, a cobrança passa a ser emitida pela empresa Solutions BPO de Serviços, mas a operadora não esclareceu o que fazer com os boletos que vencem nos próximos dias.
A crise também afetou os médicos cooperados, que relatam atrasos prolongados nos pagamentos e, por isso, passaram a recusar atendimentos. Os profissionais são vinculados à Unimed-Rio, que deveria repassar os valores vindos da Ferj — algo que não vinha ocorrendo. Ainda não há definição sobre como os atrasados serão quitados, mas, segundo a ANS, os pagamentos futuros serão feitos a partir dos repasses da Unimed do Brasil, enquanto as dívidas acumuladas deverão ser regularizadas pela Ferj.














