Uma professora aposentada de 78 anos foi vítima do golpe do falso advogado e perdeu aproximadamente R$ 300 mil. O caso, registrado na 96ª Delegacia de Polícia (Miguel Pereira), está sendo investigado como estelionato.
A idosa, identificada como Maria José Queiroz, recebeu uma ligação na última quinta-feira (2) de um homem que se apresentou como representante do escritório de advocacia que cuidava de um processo de fraude bancária em seu nome. De posse dos dados disponíveis publicamente na ação judicial, o criminoso afirmou que ela havia ganhado a causa e teria direito a uma indenização de R$ 20 mil.
Ao jornal O Dia, o filho da vítima, o comerciante Eduardo Queiroz, contou que o golpista chegou a utilizar o logotipo verdadeiro do escritório para dar credibilidade à fraude. “Entraram em contato com minha mãe com todos os dados do processo e disseram que ela receberia R$ 20 mil de danos morais. Ela acreditou e participou de uma falsa audiência com os criminosos, que pediram para ela aumentar o score bancário. Depois disso, fizeram empréstimos, limparam a conta dela e a deixaram endividada. O prejuízo passou de R$ 300 mil”, relatou.
Segundo o boletim de ocorrência, a professora realizou três transferências via PIX entre os dias 2 e 3 de outubro, somando R$ 95 mil. O restante do prejuízo é resultado de empréstimos feitos em nome da idosa. Eduardo contou que a situação abalou profundamente a família, especialmente a mãe, que sofre de pressão alta e já havia sido vítima de fraude anteriormente. “Acabou com a nossa vida. Minha mãe está muito nervosa, não come, chora o tempo todo. Há um ano, meu irmão morreu, e agora ela passou por mais essa”, lamentou.
A advogada Shirlei Mello Rodrigues, responsável pelo processo legítimo da vítima, afirmou que os criminosos utilizaram indevidamente o logotipo de seu escritório e detalhou o modo de atuação do grupo. “Eles acessam os processos, coletam dados pessoais, copiam o logotipo e se passam pelos advogados, dizendo que há boas notícias. Marcam falsas audiências e as pessoas acabam acreditando. É assustador ver como isso tem se tornado comum”, disse.
De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a corregedoria da seccional recebeu 1.194 denúncias sobre o golpe do falso advogado apenas neste ano. O órgão conta com 52 delegados dedicados à apuração e mantém parcerias com a Polícia Civil, o Ministério Público do Rio (MPRJ) e o Tribunal de Justiça do Estado (TJRJ) para combater o crime.
Em setembro, o Tribunal de Justiça implementou novas medidas de segurança, como autenticação em duas etapas para o acesso aos processos e marca d’água em documentos baixados, a fim de rastrear possíveis usos indevidos.
A OAB-RJ tem trabalhado para inibir esse tipo de golpe, que causa enormes prejuízos e prejudica a credibilidade da advocacia. Criamos uma comissão especial para integrar esforços com o TJRJ, o MPRJ e a Polícia Civil, fortalecendo a segurança dos sistemas e das informações processuais, declarou Ana Tereza Basílio, presidente da seccional.
Em agosto, a OAB-RJ também lançou a Cartilha de Combate ao Golpe do Falso Advogado, disponível no site da entidade, com orientações sobre como identificar tentativas de fraude e agir diante de contatos suspeitos.














