O furto de cabos subterrâneos tem causado sérios transtornos para os moradores do Rio de Janeiro, principalmente na Zona Sul, Centro e Barra da Tijuca. De acordo com a Light, concessionária responsável pelo fornecimento de energia, foram levados 135 quilômetros de fios entre 2024 e abril de 2025 — uma distância equivalente ao trajeto entre a capital e Volta Redonda.
As ações criminosas resultaram em interrupções de energia, oscilações e sobrecargas no sistema, afetando diretamente a população e serviços essenciais como hospitais e transporte público. Somente nos primeiros quatro meses de 2025, foram furtados 58 mil metros de cabos, com destaque para os bairros de Ipanema, Copacabana, Centro e Barra da Tijuca.
Leonardo Bersot, gerente de manutenção da rede subterrânea da Light, destacou o impacto do furto de cabos subterrâneos na rotina da cidade. “Mais do que o prejuízo financeiro para a empresa, esse crime atinge a população, prejudicando serviços fundamentais”, afirmou Bersot em depoimento ao jornal O Dia.
O setor de telecomunicações também sofre com o problema. Segundo a Conexis, sindicato das empresas de telefonia, mais de 504 mil metros de cabos foram furtados no estado apenas em 2022. Em 2023, o número caiu para 137 mil metros, mas ainda representa um prejuízo significativo para milhões de consumidores que dependem desses serviços.
Para combater o furto de cabos subterrâneos, a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), com apoio da Polícia Civil do Paraná, deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Caminho do Cobre II. A ação resultou na prisão de sete pessoas envolvidas em um esquema que movimentou cerca de R$ 200 milhões em dois anos.
A quadrilha usava caminhões e uniformes falsificados para simular serviços de manutenção e, assim, furtar os cabos de energia e telecomunicações. O material era repassado para ferros-velhos e metalúrgicas nos estados do Rio e São Paulo. As investigações também revelaram que o grupo lavava dinheiro por meio de empresas reais e de fachada, utilizando contratos simulados para dar aparência de legalidade às transações.
Durante a operação, foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, além das prisões. Duas pessoas foram detidas em flagrante e outras cinco já estavam com mandados decretados ao longo das investigações.
O avanço do furto de cabos subterrâneos preocupa autoridades e empresas, pois além do prejuízo financeiro, compromete a segurança da população e a continuidade de serviços essenciais. A polícia reforça a importância da colaboração da sociedade com denúncias que possam ajudar a desarticular esses esquemas.
A Light e a Conexis alertam para o impacto social dessas práticas criminosas, que vão muito além das perdas materiais, atingindo diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas em todo o estado.














