Moradores de três bairros de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, têm denunciado a emissão de fuligem tóxica por uma fábrica de alumínio próxima às residências. Segundo relatos, a poluição vem provocando sérios problemas respiratórios na comunidade, incluindo sangramentos nasais, crises de asma, tosse persistente e irritações constantes nas vias aéreas.
A denúncia, revelada por uma reportagem da TV Globo, aponta como principal responsável a empresa Alutech Alumínio Tecnologia, localizada a cerca de dois quilômetros das regiões afetadas. Especializada na recuperação de sucatas, a fábrica opera com incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual. Moradores relatam que a fuligem se espalha pelo ar e cobre casas, carros e estabelecimentos comerciais com uma camada escura de pó.
“Quando soltam a poeira, eu sinto muita dor de cabeça. Me provoca isso aqui, ó: sangria no nariz”, contou Francisco Reinaldo Bezerra, comerciante no bairro Vila Milza. Ele afirma que a loja onde trabalha amanhece diariamente coberta por um resíduo preto, aparentemente vindo da fábrica.
Na Rua Jorge Abdala Chama, paralela à Rodovia Washington Luiz, o cenário se repete. “Tenho uma vila com oito casas. Todas as famílias vivem tossindo, com escorrimento no nariz, usando remédio direto. À noite, fica aquele nevoeiro, mas não é serração, é fuligem da empresa”, disse o morador Wellington Soares da Silva.
Moradores registraram imagens da fumaça branca saindo da direção da fábrica e se espalhando pelo bairro. Alguns chegaram a recolher a fuligem em sacos plásticos para documentar o nível da poluição. A sensação de impotência e revolta cresce entre os que convivem com os efeitos diários dessa exposição.
A polêmica também gerou embate entre órgãos públicos. Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a fiscalização da fábrica cabe à Prefeitura de Duque de Caxias, que foi responsável por emitir a licença ambiental. Já a Secretaria de Fazenda do Estado declarou que os benefícios fiscais concedidos à Alutech podem ser suspensos caso seja comprovado dano ambiental.
O alerta sobre os riscos da fuligem tóxica também veio da área médica. O pneumologista Eduardo Algranti, coordenador da Comissão de Doenças Respiratórias Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia, explicou os possíveis impactos: “A curto prazo, pode haver agravamento em pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma ou DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). A longo prazo, o risco de câncer de pulmão também aumenta.”
Apesar da gravidade das denúncias, até o momento, a Alutech não se pronunciou sobre o caso. A empresa foi procurada pela reportagem, mas não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Enquanto isso, os moradores seguem expostos à fumaça e às incertezas sobre os efeitos que essa contaminação poderá causar à saúde no futuro.
A população local exige respostas e ações efetivas tanto do município quanto do estado. Com sintomas se agravando e provas visuais sendo registradas diariamente, cresce a pressão para que a empresa seja responsabilizada e medidas de controle ambiental sejam adotadas imediatamente.














