Fraude em concurso com ChatGPT termina com casal preso após prova

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Uma fraude em concurso com ChatGPT terminou com um casal preso após a aplicação de uma prova para auditor fiscal da Receita Estadual de Goiás, realizada no último domingo (17), em Goiânia. Segundo a Polícia Civil de Goiás, o candidato, de 28 anos, escondia um celular no banheiro do local da avaliação e usava o aparelho para enviar perguntas à esposa.

De acordo com as investigações, o homem fotografava questões da prova e encaminhava as imagens para a companheira, que estava em Jaraguá, no interior goiano. A mulher, de 24 anos, consultava o ChatGPT e depois enviava as respostas ao marido por WhatsApp.

O concurso oferecia salário inicial de R$ 28,5 mil, além de 50 vagas imediatas e outras 25 para cadastro de reserva. Ao todo, mais de 23,5 mil candidatos participaram da seleção, organizada pela Fundação Carlos Chagas.

A suspeita começou depois de uma vistoria no banheiro masculino do local da prova. Durante a fiscalização, foi utilizado um detector de eletrônicos, que localizou um celular escondido atrás do vaso sanitário, preso com fita dupla face.

Após a descoberta, o banheiro foi isolado, e os candidatos que passavam pelo local começaram a ser monitorados. Segundo os relatos colhidos pela polícia, o suspeito chamava atenção por entrar várias vezes no banheiro e permanecer no espaço por mais de 10 minutos.

Ainda conforme a investigação, o candidato teria escondido o caderno de questões dentro da calça e deixado apenas o cartão-resposta sobre a mesa da sala. A estratégia, segundo a polícia, seria evitar suspeitas dos fiscais enquanto ele saía para fotografar as perguntas.

Durante a abordagem, os policiais encontraram na mochila do candidato uma capinha compatível com o celular localizado no banheiro. O homem admitiu participação no esquema ainda no local da prova, segundo a Polícia Civil.

A esposa do candidato também foi detida. Ela foi encontrada pela Polícia Civil na Rodoviária de Anápolis, ao desembarcar de um ônibus. Aos agentes, a mulher confessou participação na fraude e entregou voluntariamente a senha do celular usado nas conversas com o marido.

Em depoimento, o candidato afirmou que decidiu participar do esquema por enfrentar dificuldades financeiras. A companheira confirmou a versão e relatou que os dois haviam planejado previamente a dinâmica usada durante a prova.

Os dois foram autuados pelo crime de fraude em concurso público. Inicialmente, a fiança estipulada para o candidato foi de três salários mínimos, equivalente a R$ 4.863. Depois, o valor foi reduzido para um salário mínimo, de R$ 1.621, após análise da condição financeira apresentada por ele.

Para a esposa, também foi arbitrada fiança de um salário mínimo. Após o pagamento dos valores, ambos foram liberados.

A Fundação Carlos Chagas informou que o candidato foi eliminado do concurso. A decisão segue o edital, que prevê exclusão para participantes flagrados usando meios ilícitos, aparelhos eletrônicos ou comunicação com terceiros durante a aplicação da prova.

A Secretaria da Economia de Goiás afirmou, por meio de nota, que o episódio foi isolado e não comprometeu a lisura do certame. O caso segue sob apuração das autoridades responsáveis.

Limpatech