A cidade do Rio de Janeiro será palco do 2º Fórum de Finanças Climáticas, nos dias 26 e 27 de maio, evento que promete reunir autoridades nacionais e internacionais em torno de uma pauta urgente: os caminhos para financiar ações contra a crise climática e ecológica. A estimativa é que sejam necessários US$ 6 trilhões anuais até 2030 para enfrentar os desafios ambientais, segundo dados da Comissão Global sobre Economia e Clima.
O fórum chega à sua segunda edição dando continuidade ao encontro inaugural, realizado em São Paulo em fevereiro de 2024. Na ocasião, mais de 1.200 participantes se reuniram e o evento culminou na produção de um documento de recomendações entregue ao G20. Este ano, a expectativa é ampliar as discussões e encaminhamentos estratégicos.
O Fórum de Finanças Climáticas ocorrerá em um momento crucial, já que o mundo se prepara para a COP30, que será sediada em Belém (PA), e lida com os desdobramentos da COP29 sobre o clima e da COP16 sobre biodiversidade. Além disso, o Brasil está encerrando sua presidência no G20, passando a liderança para a África do Sul, e também assume papel central no Brics.
Como resultado concreto do encontro, serão apresentadas propostas para o chamado “Roteiro de Baku para Belém para 1,3T”, que busca fortalecer mecanismos de financiamento climático para países em desenvolvimento. As recomendações também devem alimentar as negociações multilaterais, sobretudo no que se refere à transição energética e à implementação das metas do Acordo de Paris.
A programação contará com nomes de peso. Estão confirmadas as participações de Geraldo Alckmin, vice-presidente da República; Marina Silva, ministra do Meio Ambiente; Ajay Banga, presidente do Banco Mundial; Nadia Calviño, do Banco Europeu de Investimento; Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento; Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e representante do Club de Madrid; Ngozi Okonjo-Iweala, da Organização Mundial do Comércio; e Fernando Haddad, ministro da Fazenda, que participará do encerramento.
Com foco no desenvolvimento sustentável e em soluções financeiras de impacto, o evento quer aproximar o setor privado, governos e sociedade civil. A ideia é mostrar que o enfrentamento à crise climática depende de um pacto coletivo e de instrumentos práticos que sustentem a transição ecológica global.
O Fórum de Finanças Climáticas é organizado por sete instituições da sociedade civil: Instituto Arapyaú, Instituto AYA, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Igarapé, Instituto Itaúsa, Open Society Foundations e Uma Concertação pela Amazônia. Todas têm atuado na formulação de políticas públicas, pesquisas e articulações que visam fortalecer a pauta climática no Brasil e em outras regiões em desenvolvimento.
Além dos debates centrais, estão previstas mesas sobre financiamento à adaptação climática, instrumentos de mercado de carbono, biodiversidade, justiça climática e o papel das cidades na ação climática. As reflexões serão pautadas pelos dados do último Global Stocktake, relatório global sobre o avanço das metas do Acordo de Paris.
O encontro reforça o protagonismo do Brasil no cenário ambiental internacional e consolida o Rio de Janeiro como uma cidade estratégica para a diplomacia climática. Ao reunir líderes e especialistas de diferentes setores, o evento contribui para construir pontes entre o discurso e a prática, incentivando compromissos reais com o futuro do planeta.














