O Festival Caleidoscópio chega à sua 10ª edição neste fim de semana, nos dias 3 e 4 de maio, ocupando o Quilombo Enraizados, em Morro Agudo, Nova Iguaçu. O evento, que já é referência na cena cultural da Baixada Fluminense, reforça seu compromisso com a formação, expressão artística e resistência das periferias brasileiras. A programação se estende por 24 horas no total — das 10h às 22h em cada dia — com atividades gratuitas para todos os públicos.
No sábado, o line-up conta com apresentações de Nick Dias (PA), Spike MC, DREE Beatmaker, Rico Mesquita, Enjoy, R. Diop, Pharrá, Lekke DJ, Suave Preta e DJ Teaga Silva. No domingo, sobem ao palco Lucas Fernandes, Dayô, Laizz, Jéz, Gabé, Dionisio Bxdeus, MoonJay, Rodrigo Caê e DosAnjo. Um dos pontos altos é o “Palco de Cria”, espaço de microfone aberto para artistas que desejam se apresentar pela primeira vez, promovendo inclusão e descoberta de novos talentos.
Além da música, o Festival Caleidoscópio oferece uma ampla variedade de atividades culturais e educativas. Entre elas estão a Feira Criativa com expositores locais, o “CaleidoKids”, espaço destinado às crianças, e o “Gastronomia das Ruas”, com sabores típicos das periferias. Também fazem parte da programação o Café com Livros, o tradicional Sarau Poetas Compulsivos, a Batalha de MCs, o Slam Morro Agudo e a apresentação teatral da trupe do Projeto Teatro Nômade.
Um dos destaques deste ano é a exposição imersiva e colaborativa “Vidas em Suspenso”, que reúne imagens de enchentes, queimadas e falta de água para retratar a urgência das emergências climáticas enfrentadas pelas comunidades periféricas. A mostra dialoga diretamente com as duas masterclasses que ocorrem nas manhãs de sábado e domingo, com foco em racismo ambiental e ansiedade climática.
As aulas fazem parte da campanha “Vidas em Suspenso”, que busca estimular a criação de narrativas periféricas sobre as mudanças climáticas e seus impactos cotidianos. A intenção é descentralizar o debate sobre o meio ambiente e mostrar que os efeitos da crise já são sentidos de maneira concreta nas regiões mais vulneráveis.
Outro aspecto importante do evento é seu caráter formativo. O festival é resultado direto do CPPEC — Curso Prático de Produção de Eventos Culturais — onde os participantes vivenciam todas as etapas da construção de um evento, desde a curadoria até a gestão de equipe e a produção técnica.
“O Festival Caleidoscópio nasceu como resposta à ausência de políticas públicas consistentes para a juventude da Baixada Fluminense e ao estigma histórico de que essa região não produz nada além de violência. O festival é um espelho do que a gente acredita: que é possível produzir arte de qualidade, formar novos produtores culturais, gerar renda no território e ampliar as possibilidades para nossa gente. Por isso, mais do que nunca, ele precisa continuar existindo”, afirmou Dudu de Morro Agudo, idealizador do Instituto Enraizados, em depoimento ao jornal O Dia.
A celebração dos 10 anos do Festival Caleidoscópio marca não apenas uma década de resistência cultural, mas também o fortalecimento de um espaço onde arte, educação, ancestralidade e ativismo caminham juntos. Para os organizadores, mais do que um evento, o Caleidoscópio é um manifesto vivo da potência criativa das favelas e da força da Baixada Fluminense.















