A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (10) uma megaoperação contra a facção de Peixão, apontada como uma das mais perigosas do estado. Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, é líder do Terceiro Comando Puro (TCP), que atua fortemente na Zona Norte da capital e em regiões da Baixada Fluminense. Um dos alvos prioritários foi o Complexo de Israel, área dominada pela facção e centro das estratégias de guerra urbana adotadas contra forças de segurança.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta de uma célula específica dedicada ao abate de helicópteros policiais. Segundo a Polícia Civil, o grupo contava com armamento pesado e criminosos com treinamento militar. A célula operava com o objetivo de neutralizar o principal recurso aéreo da polícia durante incursões em comunidades, ampliando o risco e a dificuldade das ações.
As investigações duraram sete meses e envolveram diversas delegacias, como a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), a Delegacia Antissequestro (DAS), além da 22ª DP (Penha) e da 33ª DP (Realengo). O resultado foi a identificação de 44 traficantes que, até então, não tinham antecedentes, o que permitiu a emissão de mandados com base em provas coletadas ao longo da apuração.
Além do grupo antiaéreo, a facção de Peixão também contava com núcleos especializados em monitoramento de viaturas policiais, incineração de ônibus e organização de protestos simulados. Essas ações eram planejadas para dificultar e atrasar a chegada das forças de segurança, garantindo vantagem territorial ao TCP.
Outro ponto crítico revelado pela investigação é a dominação completa de comunidades como Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau. Nessas regiões, a facção impõe toques de recolher, usa drones para vigiar a movimentação e até controla serviços básicos. Há também denúncias de perseguição religiosa, com intolerância a determinadas crenças imposta pelo tráfico local.
— Sob o comando direto de Peixão, o TCP promove a intimidação sistemática de moradores, expulsão de rivais, ataques a agentes de segurança e ações coordenadas para impedir operações policiais — destacou a Polícia Civil em nota.
Durante a ação, também foram autorizadas judicialmente a demolição de duas construções erguidas de forma irregular pelos criminosos. As estruturas eram utilizadas como pontos de observação e abrigo para armamentos, com seteiras instaladas — aberturas nas paredes para disparos com cobertura. A derrubada desses pontos fortalece o avanço das forças policiais e enfraquece a linha de defesa da facção.
Além das demolições, os agentes têm como missão apreender armas, drogas, rádios comunicadores, celulares, computadores e documentos que possam comprovar a atuação da facção de Peixão. A operação segue em andamento e novas prisões não estão descartadas.
Com o avanço da investigação e os mandados sendo cumpridos, a expectativa é que a estrutura do Terceiro Comando Puro sofra um abalo considerável, abrindo espaço para novas ações de retomada do controle das áreas dominadas pelo tráfico.














