O ex-chefe da Receita é demitido pela CGU após investigação sobre joias de Bolsonaro, em decisão publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (1º). A medida atinge o ex-secretário Julio Cesar Vieira Gomes, acusado de atuar irregularmente no episódio envolvendo um conjunto de joias presenteadas pela Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de perder o cargo, ele está impedido de exercer funções públicas federais pelos próximos cinco anos.
O processo disciplinar interno da Controladoria-Geral da União concluiu que Vieira Gomes descumpriu deveres funcionais ao acompanhar o caso das joias retidas no Aeroporto de Guarulhos. As peças, avaliadas em milhões de reais, foram alvo de tentativas de liberação por integrantes do governo. Durante toda a investigação, o ex-secretário negou interferência indevida e afirmou ter seguido critérios legais, embora não tenha comentado a decisão mais recente.
De acordo com informações colhidas pela Polícia Federal, o ex-chefe da Receita relatou ter mantido contatos diretos com Bolsonaro sobre o assunto no fim de 2022. Um desses encontros ocorreu pessoalmente no Palácio do Planalto, onde o presidente quis saber detalhes sobre eventual apreensão de presentes vindos da Arábia Saudita. Vieira afirmou que não tinha conhecimento formal à época, mas decidiu apurar a situação.
Outro contato revelado no depoimento foi um telefonema em 27 de dezembro, poucos dias antes do término do mandato presidencial. Nele, Bolsonaro voltou a perguntar sobre os itens, e Vieira relatou que as informações já haviam sido repassadas a Mauro Cid, então auxiliar direto do presidente. Conversas desse tipo reforçaram a investigação sobre possível envolvimento de autoridades na tentativa de recuperar os bens.
Posteriormente, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, apontando como núcleo de atuação a movimentação irregular dos presentes sauditas. Também foram incluídos no inquérito nomes como o ex-ministro Bento Albuquerque e o próprio Mauro Cid, que firmou delação premiada.
A demissão de Vieira Gomes marca o encerramento da análise administrativa sobre o caso no âmbito da CGU, embora processos criminais e políticos ainda sigam em andamento. As conclusões do relatório oficial devem ser somadas às investigações em curso, que buscam esclarecer possíveis desvios e responsabilidades na tentativa de liberação das joias.














