Estudantes flagrados em roubos e vandalismo na Zona Norte

Policiais realizaram buscas em ônibus da região e localizaram um dos suspeitos

Sete estudantes de uma escola municipal foram flagrados em roubos e vandalismo na Zona Norte do Rio na última quarta-feira (16), gerando preocupação entre moradores e comerciantes da região.

As ocorrências foram registradas em bairros como Engenho de Dentro e Méier, envolvendo adolescentes uniformizados, que atuaram em grupo para cometer furtos de celulares e danificar ônibus urbanos. Dois deles foram conduzidos às delegacias por porte de aparelho roubado.

Segundo agentes do programa Segurança Presente, a primeira ação aconteceu próximo ao Norte Shopping e à Rua Henrique Scheid, no Engenho de Dentro. Policiais que realizavam patrulhamento na região abordaram um grupo de adolescentes e constataram que um dos celulares em posse de um estudante constava como roubado no sistema de IMEI. O caso foi registrado na 26ª DP (Todos os Santos), onde o menor foi responsabilizado.

Cerca de uma hora depois, uma nova ocorrência mobilizou a equipe do Segurança Presente do Méier. Estudantes uniformizados estavam agindo nas imediações da Rua Dias da Cruz, um dos principais centros comerciais do bairro. Testemunhas relataram que os adolescentes agiam em frente a uma escola particular, abordando transeuntes de forma agressiva para subtrair celulares e outros pertences.

A partir dos relatos, os policiais iniciaram buscas em coletivos que circulavam pela área. Um dos suspeitos foi localizado dentro de um ônibus, portando um celular roubado. Na tentativa de fuga, o grupo vandalizou parte da estrutura do veículo, causando danos aos assentos e janelas. O caso foi registrado na 25ª DP (Engenho Novo).

Rio Ônibus lamenta prejuízos e cobra ações

A entidade Rio Ônibus, que representa o setor de transporte coletivo na capital fluminense, emitiu uma nota oficial repudiando os atos de vandalismo registrados.

“Os atos criminosos de vandalismo aos ônibus são casos recorrentes, que se repetem a cada verão, ocasionando num prejuízo de mais de R$ 2 milhões por mês em reparos. Mais uma vez, o Sindicato apela às autoridades de segurança pública para que tomem providências efetivas. Aos cidadãos cariocas, pedimos ajuda para preservar um bem que é de todos”, diz o comunicado divulgado pelo sindicato, ao jornal O Dia.

Segundo a entidade, os ataques a ônibus não apenas geram custos aos cofres públicos e às empresas, mas comprometem a segurança dos passageiros e motoristas que trabalham nos coletivos.

Violência e vulnerabilidade na juventude

O aumento da participação de adolescentes em delitos urbanos tem gerado alerta entre educadores e especialistas em segurança pública. Em muitos casos, como este, os menores estão regularmente matriculados em escolas e utilizam o próprio uniforme como forma de despistar a fiscalização e transitar entre bairros sem levantar suspeitas.

Especialistas defendem uma integração mais próxima entre as instituições de ensino, programas sociais e a atuação das forças de segurança para prevenir esse tipo de situação. A presença ostensiva do programa Segurança Presente nas ruas tem permitido respostas rápidas, mas a reincidência dos casos reforça a necessidade de medidas estruturais e educativas.

A Polícia Civil informou que os dois adolescentes levados às delegacias foram liberados sob responsabilidade dos pais, mas os celulares roubados foram devolvidos às vítimas.

Comunidade cobra ações da escola

A direção da escola municipal onde os alunos são matriculados ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. No entanto, pais de alunos da instituição exigem uma apuração interna e o acompanhamento do Conselho Tutelar.

“É inadmissível que estudantes saiam de casa dizendo que vão à escola e estejam na rua cometendo crimes. A direção precisa se posicionar. Precisamos de mais diálogo com as famílias e de ações pedagógicas que previnam esse tipo de conduta”, declarou Maria do Carmo Ferreira, mãe de um aluno da mesma escola, em entrevista ao jornal O Dia.

A Subsecretaria de Proteção à Infância e Juventude da Prefeitura do Rio disse que está acompanhando o caso e que os adolescentes identificados serão incluídos em programas de acompanhamento psicossocial.

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