Feminicídio no Rio: foragido por matar namorada é preso em Cachoeira de Macacu

Jozimar Ramos Botelho

A Polícia Civil prendeu um homem foragido por feminicídio no Rio, em Cachoeira de Macacu. Jozimar Ramos Botelho é acusado de matar a namorada, Mizaele da Silva Sousa, a facadas no Morro São João, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, em agosto de 2024.

A prisão ocorreu na última terça-feira (15), após meses de investigação conduzida por agentes da 25ª DP (Engenho Novo). O acusado estava foragido desde dezembro de 2024, quando a 4ª Vara Criminal da Capital expediu mandado de prisão preventiva. Jozimar foi encontrado escondido em uma residência isolada no interior de Cachoeira de Macacu, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Conforme as investigações, o crime foi premeditado. Segundo o delegado responsável pelo caso, Henrique Damasceno, Jozimar retornou à casa da vítima no dia do crime e aguardou a chegada dela para iniciar uma discussão, que culminou no ataque com arma branca.

“Ele chegou antes, ficou esperando e, quando Mizaele chegou, iniciou uma briga que terminou com um golpe fatal no pescoço. A violência foi direcionada com extrema agressividade, e tudo indica que foi um crime passional”, afirmou o delegado, em depoimento ao O Dia.

Histórico de violência

A relação entre Mizaele e Jozimar já havia apresentado sinais de instabilidade. Amigos e vizinhos da vítima relataram que o casal brigava frequentemente e que Mizaele manifestava medo do companheiro.

“Ela dizia que queria se afastar dele, que as brigas estavam ficando mais intensas. Tinha medo de ele fazer alguma besteira”, disse uma vizinha que preferiu não se identificar, em entrevista ao O Dia.

Segundo a Polícia Civil, Jozimar já tinha passagem pela polícia e chegou a confessar outro homicídio em circunstâncias distintas, o que agrava ainda mais sua ficha criminal. Os investigadores também confirmaram que ele havia sido vítima de um golpe de estelionato, o que ajudou na sua localização. A movimentação em torno da tentativa de reaver dinheiro perdido foi monitorada pelos agentes e levou ao seu paradeiro.

Crime de feminicídio em destaque

A morte de Mizaele da Silva Sousa se enquadra como feminicídio, termo usado para classificar homicídios motivados por gênero, geralmente cometidos por parceiros ou ex-parceiros em contextos de violência doméstica. Este tipo de crime tem crescido no Brasil e gerado ampla mobilização de autoridades e entidades civis.

Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado do Rio de Janeiro registrou 109 casos de feminicídio em 2024, representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A maioria das vítimas tinha entre 20 e 40 anos, e os agressores geralmente tinham histórico de violência doméstica.

“É mais um caso de uma mulher que não teve tempo de se proteger. O feminicídio é a ponta do iceberg da violência de gênero. São necessárias políticas públicas contínuas de acolhimento, denúncia e proteção”, declarou Maria Fernanda Lopes, coordenadora do Instituto Mulheres pela Justiça.

Captura e próximos passos

A prisão de Jozimar Ramos Botelho foi resultado de um trabalho de inteligência e rastreamento. Os policiais mantiveram vigilância sobre movimentações bancárias e digitais do acusado até descobrir sua localização exata. Ao ser abordado, ele não reagiu à prisão.

O criminoso foi conduzido à 25ª DP e permanece detido à disposição da Justiça. Ele será transferido para um presídio na capital e responderá por homicídio qualificado por motivo fútil e feminicídio.

Segundo o delegado Henrique Damasceno, a investigação está encerrada, e o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que ficará responsável pela denúncia formal.

“Este é um caso emblemático que representa a gravidade da violência contra a mulher. A resposta da polícia foi firme e célere diante de um crime tão brutal”, concluiu o delegado.

Repercussão na comunidade

O crime chocou moradores do Morro São João e da comunidade do Engenho Novo. Uma pequena homenagem foi realizada por familiares e vizinhos de Mizaele no local onde ela foi assassinada.

“Ela era muito querida. Trabalhadora, dedicada. Uma perda irreparável. A justiça precisa ser feita para que outras mulheres não sofram o mesmo destino”, disse Luciana Santos, amiga de infância da vítima.

A Delegacia da Mulher (DEAM) reforça que denúncias de ameaças e violência podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 180, ou diretamente nas delegacias especializadas.

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