Três suspeitos morreram em confronto com PMs durante uma operação policial realizada na manhã desta quinta-feira (17), na comunidade Faz Quem Quer, localizada em Rocha Miranda, Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação faz parte de uma ofensiva para conter a guerra entre facções rivais que disputam o controle de territórios da região. Segundo informações da Polícia Militar, a operação se estendeu também às comunidades do Cajueiro e Congonha, áreas próximas e sob forte influência de grupos armados.
Além dos três mortos, três homens foram presos na mesma operação, incluindo um foragido da Justiça com mandado de prisão em aberto pelo crime de roubo. Com os suspeitos, os policiais apreenderam três fuzis, uma pistola, um revólver e uma quantidade de drogas ainda em processo de contabilização. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Bope liderou a ação em região sob tensão
A operação foi conduzida por equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), com o apoio de outros batalhões da Zona Norte. A incursão aconteceu após levantamento de inteligência apontar movimentações suspeitas de criminosos armados nas três comunidades-alvo. A Polícia informou que os agentes foram recebidos a tiros assim que entraram na localidade.
“Os policiais do Bope foram atacados por criminosos armados e revidaram à injusta agressão. Após o cessar dos disparos, três homens foram encontrados feridos e socorridos, mas não resistiram aos ferimentos”, informou a PM em nota enviada à Redação do jornal O Dia.
Moradores da comunidade relataram momentos de tensão. O tiroteio intenso provocou a suspensão de serviços e o fechamento de comércios e escolas na região. Ainda de acordo com a corporação, nenhum policial ficou ferido na operação.
Disputa entre facções motiva operações
As comunidades de Rocha Miranda, Cajueiro e Congonha têm sido alvos constantes de operações por conta de uma disputa territorial entre o Comando Vermelho e uma facção rival. Essa guerra pelo controle do tráfico de drogas na região tem provocado aumento da violência, com tiroteios frequentes e ações de intimidação contra moradores.
Segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, Rocha Miranda registrou 14 tiroteios com vítimas só nos primeiros quatro meses deste ano. Destes, ao menos cinco foram confrontos entre facções criminosas rivais, com envolvimento direto de milicianos e traficantes.
A PM afirmou que as operações continuarão sendo realizadas enquanto persistirem os conflitos. “Nosso foco é preservar vidas, garantir a ordem e impedir que criminosos dominem o território à força”, disse o porta-voz da corporação, tenente-coronel Paulo Costa, em entrevista à Rádio Tupi.
Apreensões e material bélico
Na operação desta quinta-feira, além dos armamentos pesados, os agentes também encontraram drogas embaladas e prontas para venda, rádios transmissores e anotações do tráfico. Todo o material foi encaminhado para a sede da DHC, onde será periciado.
A apreensão de três fuzis em uma única operação chama atenção para o grau de poder de fogo das facções atuantes na região. De acordo com o Instituto Sou da Paz, o uso de armas de guerra em áreas urbanas tem crescido no Rio, especialmente em disputas envolvendo tráfico e milícia.
Outra operação em andamento na Zona Norte
Paralelamente à operação em Rocha Miranda, policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) realizavam uma ação de combate ao roubo de veículos na comunidade da Serrinha, em Madureira, também na Zona Norte. Moradores relataram intenso tiroteio na região, com bloqueios em vias internas da comunidade.
Segundo a PM, a operação visa reprimir a atuação de quadrilhas especializadas em roubos e clonagem de veículos que vêm utilizando áreas dominadas pelo tráfico para esconder automóveis roubados.
“A Serrinha tem sido um ponto estratégico para o escoamento de veículos roubados. Estamos agindo com firmeza para desmontar essas quadrilhas”, disse um oficial do setor de inteligência da PM, sob condição de anonimato, ao jornal O Dia.
Comunidade cobra segurança permanente
Moradores das regiões afetadas pedem mais presença permanente das forças de segurança. Segundo a comerciante Eliane Ramos, de 52 anos, que tem uma padaria na entrada da comunidade Congonha, o medo de represálias dificulta até mesmo o simples ato de trabalhar.
“Cada vez que a polícia sobe o morro, o comércio fecha. A gente entende que precisam combater o crime, mas precisamos também de segurança no dia a dia, não só nessas ações pontuais”, afirmou ela ao portal O Dia.
Especialistas em segurança pública apontam que ações pontuais, embora importantes para enfraquecer as organizações criminosas, precisam ser acompanhadas de investimentos sociais, políticas públicas e ocupações estruturadas para garantir resultados a longo prazo.














