Entregador confessa agressão a ciclista e culpa segurança: ‘Segurei para não fugir’

Entregador confessa agressão a ciclista

Entregador relata agressões a ciclista e aponta segurança como principal agressor

O entregador Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, admitiu em depoimento à Polícia Civil ter participado das agressões contra o ciclista Cláudio Rafael Landeiro, que resultaram na morte deste. A declaração foi prestada na 12ª DP (Copacabana) após sua prisão. Ele afirmou ter segurado Cláudio para impedir sua fuga, ajudado a derrubá-lo e desferido quatro chutes em suas costas.

Segundo Felipe, a escalada da violência que culminou na morte de Cláudio foi responsabilidade do segurança Davi Santos Machado. Ele alega que o segurança indicou o ciclista como autor de um suposto furto de bicicleta e iniciou as agressões com um taco de madeira. A versão apresentada pelo entregador reforça a linha investigativa da polícia, que aponta Davi como o principal articulador do crime.

Conforme o depoimento, Felipe estava em serviço de aplicativo na noite de 11 de agosto, aguardando corridas na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana. Ele foi informado por outro entregador sobre um segurança que estaria perseguindo um suposto ladrão de bicicletas na Rua Barata Ribeiro. Ao chegar ao local com um colega, encontraram o segurança com um pedaço de madeira, que teria dito que o homem procurado havia fugido em direção à Princesa Isabel.

Perseguição e encontro com a vítima

Felipe e o outro motociclista seguiram na direção indicada e encontraram Cláudio na Rua Felipe de Oliveira. Eles passaram a questionar a vítima sobre a bicicleta, mas ele não respondeu. Felipe notou o nervosismo de Cláudio e acreditou que ele já havia sido agredido anteriormente. Pouco depois, o próprio Felipe gravou um vídeo de Cláudio sentado na entrada de um prédio, chamando a atenção de outros entregadores.

Início das agressões e omissão

No vídeo, o colega de Felipe identifica Cláudio como ladrão. O segurança surge e confirma que era o homem procurado, momento em que, segundo Felipe, as agressões começaram. O entregador admitiu ter segurado Cláudio quando este tentou fugir, ajudado a derrubá-lo e desferido quatro chutes nas costas da vítima. Ele também revistou os bolsos de Cláudio, encontrando apenas uma carteira com papéis, que foi descartada posteriormente.

Felipe relatou que decidiu deixar o local ao perceber a intensidade da violência empregada pelo segurança, que, segundo ele, golpeava Cláudio repetidamente com um taco de madeira, principalmente na cabeça. O entregador afirmou ter cogitado ajudar o ciclista, mas recuou por medo da reação do segurança, que, em suas palavras, parecia estar “endemoniado”.

Investigação e prisões

O depoimento de Felipe Eduardo dos Santos Silva corrobora a investigação da Polícia Civil, que considera Davi Santos Machado o responsável por mobilizar os entregadores e conduzir a perseguição contra Cláudio. O delegado Ângelo Lages declarou que os entregadores foram acionados pelo segurança após ele alegar a presença de um “ladrão de bicicleta”, uma suspeita que não foi comprovada.

A polícia investiga a participação individual de cada envolvido e busca identificar outras pessoas vistas nas imagens de câmeras de segurança. Felipe sustenta que não teve a intenção de matar Cláudio, mas foi induzido a erro pelo segurança e acreditava que os chutes não causariam lesões graves. No dia 21, Aílton José da Silva, o último suspeito, foi preso, mas optou por permanecer em silêncio.

Relembre o caso

Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, foi abordado na madrugada de 11 de agosto sob suspeita de furto de bicicleta em Copacabana. Ele foi perseguido e sofreu uma sequência de agressões com socos, chutes e golpes de madeira. A Polícia Civil estima que a vítima tenha recebido ao menos 57 pauladas. Cláudio chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência de traumatismo craniano e hemorragia interna.

Os quatro investigados pelo crime já foram presos e respondem por homicídio triplamente qualificado. A investigação prossegue para esclarecer a participação de todos os envolvidos e identificar possíveis outros agressores.

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