O enredo da Vila Isabel 2026 já tem nome e inspiração: “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”. Com uma proposta afetiva e sensível, a escola prestará homenagem ao sambista e artista plástico Heitor dos Prazeres, um dos grandes nomes da cultura negra brasileira e uma figura central na formação do samba no Rio de Janeiro.
O anúncio foi feito neste sábado (10), durante um evento na Pedra do Sal, um dos berços do samba carioca e local que também simboliza a chamada “Pequena África”, expressão cunhada justamente por Heitor. O desfile será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que assinam o projeto da azul e branco do bairro de Noel.
Segundo Leonardo Bora, o enredo não se propõe a ser uma biografia convencional, mas sim uma imersão no imaginário do homenageado. “Tudo ele sonhava. Este foi o fio que decidimos usar: o ato de sonhar o samba, o desejo de uma vida mais colorida, festiva, coletiva. Heitor sonhou com uma África em festa, que cantava, dançava, fazia macumba. Uma África no coração da Primeira República”, explica o carnavalesco.
A proposta é revisitar essa África imaginada por Heitor, onde as fronteiras entre samba e religiosidade afro-brasileira se dissolvem, como ele próprio dizia: “samba e macumba se misturam desde sempre”. Assim nasce o título do enredo, com sua sonoridade poética e nostálgica: Macumbembê, Samborembá.
Além de artista plástico renomado, Heitor dos Prazeres também foi um dos fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, considerada a primeira do Brasil, e parceiro de grandes nomes como Ismael Silva e Cartola. Sua contribuição para o samba e para a arte brasileira é imensa, e a escolha da Vila Isabel promete resgatar essas memórias com criatividade e emoção na Sapucaí.
Com esse enredo, a escola busca pintar a avenida com as tintas do pertencimento, da ancestralidade e da resistência cultural, exaltando os sonhos que resistem ao tempo e alimentam a alma do carnaval.














