Educação antirracista chega a escolas do Rio com Bell Hooks e Djamila

Educação antirracista

Educação antirracista nas escolas é o foco do novo programa implementado pela ONG Parceiros da Educação Rio em unidades da rede municipal do Rio de Janeiro. A iniciativa começa neste mês com atividades na Escola Municipal São Tomás de Aquino, no Leme, e na Escola Pedro Ernesto, na Lagoa, nos dias 20 e 24 de maio, respectivamente.

Segundo apuração de Gabriella Lourenço, o programa busca promover a equidade racial nas escolas públicas por meio de literatura, oficinas culturais e debates com educadores. A ação faz parte do projeto “Lá Vem História” e tem como meta formar 50 professores de 20 unidades parceiras. Entre as atividades estão oficinas de danças indígenas, jongo, capoeira e samba, além de rodas de leitura e conversas sobre práticas pedagógicas decoloniais.

A coordenadora Lêda Fonseca destaca que o projeto está em sintonia com leis federais que obrigam o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. “Sentimos necessidade de trabalhar mais com os professores sobre essa temática para terem repertório mais ampliado sobre tais culturas”, afirmou. Ela também reforçou que a formação eurocêntrica de muitos docentes contribui para a invisibilização de saberes tradicionais e culturas formadoras do Brasil.

Cada escola participante receberá um acervo com dez livros de autoras como Djamila Ribeiro, Bell Hooks, Sônia Rosa e Bárbara Carine, formando uma biblioteca antirracista com foco em diversidade de narrativas. Os encontros também incluirão visitas a locais de relevância histórica e cultural, como o Cais do Valongo, a Aldeia Maracanã e outros centros voltados à preservação da memória afro-brasileira e indígena.

O programa é voltado para professores do ensino fundamental e médio, com ênfase na formação prática por meio da arte e da escuta ativa. Segundo os organizadores, a expectativa é que o projeto se torne um modelo replicável em outras regiões da cidade e do estado.

A agenda começa no dia 20 de maio, às 9h, na Escola Municipal São Tomás de Aquino, no Leme. Aproximadamente 245 crianças vão participar de uma apresentação da artista Ana Bispo, que trará canções de compositores negros como Cartola, Dona Ivone Lara e Gilberto Gil, mesclando música e contação de histórias.

Já no dia 24 de maio, o evento será na Escola Municipal Pedro Ernesto, na Lagoa, também às 9h. Cerca de 50 professores participarão de uma mesa de abertura com Joana Oscar, da Gerência de Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação; Maíra Santos, diretora da Escola Maria Felipe; e Thaiana Rodrigues, educadora antirracista e socióloga.

A iniciativa também conta com o apoio institucional da Secretaria Municipal de Educação, e a presença do secretário Renan Ferreirinha está confirmada para um dos encontros. Ele deve falar sobre a importância de políticas públicas educacionais voltadas à igualdade racial nas escolas.

Ao integrar cultura, literatura e debate em um mesmo espaço formativo, o projeto busca transformar o ambiente escolar em um lugar mais inclusivo, onde os estudantes possam se reconhecer e valorizar sua identidade.

A ONG Parceiros da Educação Rio informa que o impacto será monitorado ao longo dos próximos meses com acompanhamento pedagógico e depoimentos dos participantes. A expectativa é que a abordagem contribua para reduzir desigualdades, ampliar repertórios culturais e reforçar a construção de uma educação mais representativa.

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