O presídio de Gericinó, localizado na Zona Oeste do Rio, voltou a ser alvo de ações ousadas por parte de criminosos. Desde 2018, foi identificada uma nova modalidade para introduzir objetos ilícitos nas unidades: o arremesso de pacotes por cima dos muros. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), só entre 2024 e 2025 foram registradas 18 tentativas desse tipo, sendo que todas as ocorrências do ano passado foram interceptadas.
A prática consiste em lançar, de fora para dentro, celulares e drogas embalados em pacotes. Os muros da unidade têm mais de seis metros de altura e são reforçados com concertinas — arames com lâminas cortantes —, mas isso não impediu que os criminosos buscassem formas de burlar a estrutura de segurança. As ações geralmente ocorrem em horários de menor movimentação nas redondezas.
De acordo com a Seap, apenas neste ano, cinco pacotes foram interceptados pelas equipes de vigilância. As apreensões ocorreram graças ao aumento do monitoramento e à atuação rápida dos policiais penais. As áreas externas próximas aos muros também estão sendo vigiadas com maior frequência, o que tem ajudado a coibir novas tentativas.
“É uma prática que exige constante atualização das estratégias de vigilância. O uso de drones, câmeras com maior alcance e monitoramento em tempo real tem sido fundamental para evitar que esses materiais entrem nas unidades”, afirmou um representante da Seap, em depoimento ao jornal Extra.
As imagens divulgadas pela própria secretaria mostram o momento em que os criminosos se aproximam da estrutura e fazem os lançamentos. Em muitos casos, os pacotes são localizados rapidamente graças à ação dos policiais penais, que têm atuado com atenção redobrada diante do aumento desse tipo de ocorrência.
A reportagem exibida recentemente pelo programa “Domingo Espetacular”, da TV Record, detalhou como os criminosos organizam os arremessos e apontou falhas estruturais nas áreas de entorno do presídio de Gericinó. O programa também mostrou os bastidores da atuação das equipes de segurança no combate a esse tipo de crime.
Especialistas em segurança prisional explicam que essa modalidade não é exclusiva do Rio de Janeiro. Em diversos estados, há registros de táticas semelhantes, algumas envolvendo até drones e outros dispositivos improvisados. No entanto, no caso do presídio de Gericinó, o método mais recorrente ainda é o lançamento manual, feito por homens que se aproximam do muro.
Para reforçar a segurança, a Seap anunciou novas medidas, como a instalação de barreiras físicas suplementares, o uso de sensores de presença próximos às muralhas e a ampliação das rondas feitas em conjunto com a Polícia Militar. Essas ações visam impedir que os materiais ilícitos sejam entregues ou alcancem os presos.
“Nosso objetivo é garantir que nenhum material ilícito entre nas unidades. A segurança dos internos e dos servidores depende do controle absoluto sobre o que circula nos presídios”, declarou o representante da secretaria, em depoimento ao jornal Extra.
O presídio de Gericinó integra um dos maiores complexos penitenciários do estado e reúne diversas unidades sob administração da Seap. Devido à sua localização e estrutura, exige constante vigilância externa e investimentos em tecnologia. A Seap afirma que continuará monitorando de perto e reforçando as ações preventivas.














