Adolescente de 15 anos morre após buscar tratamento para dor de dente em UPA no DF; Polícia Civil investiga
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a morte de Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, que procurou atendimento na rede pública de saúde por conta de fortes dores de dente. O caso levanta questionamentos sobre a assistência prestada e a evolução rápida do quadro da jovem.
Inicialmente, Maria Luiza buscou ajuda para uma dor de dente que se agravou após um procedimento de obturação. As idas à Unidade Básica de Saúde e à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho II não impediram a piora de seu estado de saúde, culminando em sua transferência para o Hospital da Criança de Brasília.
O pai da adolescente, André Estevam Abreu, cobra esclarecimentos e suspeita de negligência médica. Ele alega que a filha poderia ter sido encaminhada para atendimento hospitalar mais cedo, o que talvez pudesse ter evitado a tragédia. A família busca justiça para apurar as circunstâncias da morte. Conforme informações divulgadas pela imprensa.
Investigação policial e causa da morte a esclarecer
A PCDF apura o caso para determinar as causas exatas do óbito de Maria Luiza. A declaração de óbito, assinada em 17 de agosto por um médico-legista do Instituto de Medicina Legal (IML), aponta “óbito a esclarecer por exames complementares”.
O relatório inicial do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) sugeriu um quadro de infecção generalizada decorrente de endocardite bacteriana de origem odontológica. Exames posteriores também detectaram a presença de Rinovírus e Influenza B, além de hemotórax, acúmulo de sangue na cavidade torácica.
Cronologia do atendimento e agravamento do quadro
O quadro de Maria Luiza começou a se agravar em 20 de julho, após um procedimento dentário. Em 29 de julho, ela procurou uma UBS em Sobradinho, onde recebeu antibióticos. A dor retornou semanas depois, levando-a à UPA de Sobradinho II em 9 de agosto, onde um abscesso dentário foi drenado e um novo antibiótico prescrito.
Em 12 de agosto, a adolescente retornou à UPA com sintomas mais graves, como náuseas, falta de apetite, dores intensas e formigamento no rosto. Ela chegou a vomitar e desmaiar na unidade, sendo encaminhada para a ala vermelha.
Transferência para hospital e evolução crítica
Devido à piora clínica, Maria Luiza foi transferida para o Hospital da Criança de Brasília, onde deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado gravíssimo. A jovem sofreu cinco paradas cardíacas e não resistiu, vindo a falecer na noite de 13 de agosto.
O pai da adolescente expressou sua dor e incredulidade, afirmando que a morte de sua filha, que tinha asma controlada e era saudável, não poderia ser apenas por uma dor de dente. A família busca respostas e responsabilização por uma possível falha no atendimento.
Posição do IgesDF e solidariedade aos familiares
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) lamentou o falecimento de Maria Luiza e manifestou solidariedade aos familiares. Em nota, o instituto informou que a adolescente realizava tratamento odontológico fora da rede pública e que, na UPA, recebeu assistência e orientações.
O IgesDF afirmou que a paciente recebeu tratamento, foi orientada sobre a necessidade de continuidade com especialista e, ao retornar com sintomas mais graves, foi avaliada, monitorada e recebeu suporte. A transferência para a UTI pediátrica foi solicitada e realizada.
O Instituto declarou estar à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários com rigor técnico e transparência, reafirmando seu compromisso com a assistência pública segura e humanizada.














