A Divisão de Elite da Guarda Municipal alcançou a marca de 616 prisões e conduções em apenas 70 dias de atuação nas ruas do Rio de Janeiro. O dado chama atenção por outro motivo: durante todo o período, nenhum disparo de arma de fogo foi registrado pelos agentes envolvidos nas operações.
Criada para reforçar a segurança em áreas com elevados índices de roubos e furtos, a força especializada já realizou mais de 3,8 mil abordagens desde o início das atividades, em março deste ano. Além das prisões, as equipes recuperaram ou apreenderam 109 celulares e 90 veículos, segundo balanço divulgado pela Prefeitura do Rio.
O prefeito Eduardo Cavaliere atribui os resultados ao modelo de atuação adotado pela corporação, baseado em planejamento operacional, análise de dados, inteligência e treinamento especializado.
Segundo ele, a iniciativa foi criada para ampliar a sensação de segurança nos espaços públicos e atuar de forma complementar às demais forças de segurança do estado.
A definição dos locais de patrulhamento segue estudos sobre manchas criminais, fluxo de pessoas e registros de ocorrências. A estratégia busca concentrar esforços justamente nas áreas onde os crimes de rua mais afetam a rotina dos moradores.
Atualmente, a Divisão de Elite atua em nove regiões da cidade, mas a expectativa da Prefeitura é ampliar a cobertura ao longo do ano. A meta é dobrar o efetivo, chegando a 1.200 agentes até dezembro.
Nas ruas, o trabalho é realizado por equipes que atuam a pé e em viaturas, equipadas com armamentos individuais, câmeras corporais, dispositivos de monitoramento e equipamentos de menor potencial ofensivo, como armas de choque.
O secretário municipal de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, destacou que os principais alvos das ações são crimes de roubo, furto e receptação. De acordo com ele, grande parte dos resultados recentes está ligada à recuperação de celulares roubados e motocicletas utilizadas em atividades criminosas.
Outro diferencial apontado pela Prefeitura é o uso intensivo de tecnologia. Todos os agentes trabalham monitorados por câmeras corporais e recebem missões previamente definidas por sistemas digitais que acompanham deslocamentos, rotas e ocorrências em tempo real.
A integração com órgãos como Polícia Militar, Polícia Civil e Segurança Presente também faz parte da estratégia operacional. Antes da implantação em cada região, são realizadas reuniões para alinhar as áreas de atuação e evitar sobreposição de efetivos.
À frente da corporação, a diretora-geral Aimée de La Torre afirma que os resultados são consequência de um planejamento iniciado antes mesmo da entrada da força nas ruas. Os agentes passaram por mais de 500 horas de capacitação com instrutores da Polícia Rodoviária Federal, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da própria Prefeitura.
Os treinamentos incluíram técnicas de abordagem, defesa policial, gerenciamento de crises, armamento, uso diferenciado da força e utilização das ferramentas tecnológicas empregadas diariamente no patrulhamento.
Além dos números operacionais, a Prefeitura destaca a percepção positiva da população. Em bairros como Tijuca e Bangu, moradores e comerciantes relatam redução dos assaltos e maior sensação de segurança desde a chegada das equipes.
Com a expansão prevista para novas áreas nas próximas semanas, a administração municipal aposta no fortalecimento da Divisão de Elite como uma das principais ferramentas de combate aos crimes de rua e de proteção dos espaços públicos da cidade.
Muitos moradores afirmam que a mudança já pode ser percebida no dia a dia, reforçando a expectativa sobre os próximos passos da operação em outras regiões do Rio de Janeiro.














