Disputa interna afasta Sepe de negociações coletivas no Rio

Professores fazendo manifestação em frente a Alerj

Uma disputa interna no Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) levou à saída da entidade das negociações coletivas conduzidas pelo Fórum dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Fosperj). A decisão foi tomada em assembleia realizada pelos filiados, que votaram pela desvinculação do grupo que reúne mais de 50 categorias do funcionalismo público estadual.

O principal motivo apontado pela corrente vencedora da assembleia foi a insatisfação com a condução das negociações com o governo Cláudio Castro (PL). Segundo o sindicato, apenas setores da Segurança Pública estariam sendo beneficiados com avanços, enquanto a Educação segue sem progresso, especialmente em relação ao reajuste salarial prometido.

A saída do Sepe do Fosperj não é inédita. Em outras ocasiões, o sindicato já havia deixado o fórum, retornando posteriormente após novas deliberações. Desta vez, a entidade afirmou que manterá articulações próprias junto ao Executivo estadual para pressionar pelo cumprimento das demandas da categoria.

Entre os principais pontos de reivindicação está o pagamento das segunda e terceira parcelas da recomposição salarial, referentes ao período de 2017 a 2021. O reajuste de 13%, que deveria ter sido quitado em 2023, continua pendente para os servidores da Educação, enquanto funcionários do Judiciário e Legislativo já receberam os valores integralmente.

A decisão do Sepe ocorre em meio a uma crescente pressão dos servidores do Executivo, que buscam a equiparação de benefícios com outros poderes. A falta de avanços concretos nas mesas de negociação unificada foi vista como um sinal de que a categoria precisava de uma atuação mais independente.

Além da questão salarial, o sindicato também critica a falta de diálogo efetivo com o governo e acusa a gestão estadual de priorizar demandas de setores específicos, deixando a Educação em segundo plano.

Mesmo fora do Fosperj, o Sepe promete intensificar as mobilizações, incluindo atos públicos e novas rodadas de negociações diretas com representantes do governo estadual. A expectativa é de que a saída do fórum permita maior agilidade e foco nas pautas específicas da categoria.

O cenário evidencia a dificuldade histórica enfrentada pelos profissionais da Educação em conquistar avanços salariais e estruturais no estado do Rio de Janeiro. A insatisfação com o ritmo das negociações reflete o desgaste acumulado diante de promessas não cumpridas.

Enquanto isso, outras categorias do funcionalismo seguem no Fosperj, buscando manter a unidade nas tratativas com o governo. A possibilidade de retorno do Sepe ao fórum não está descartada, a depender dos desdobramentos das próximas semanas.

A recomposição salarial continua sendo o principal ponto de tensão entre servidores e o governo estadual, e novas movimentações estão previstas para pressionar o cumprimento dos acordos.

Limpatech