Discord ignora pedidos da polícia após ataque à escola em SP

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Mais de um ano e meio após o ataque à Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, o Discord ainda não entregou à Polícia Civil as mensagens trocadas entre os integrantes do grupo que planejou o atentado. O ataque, ocorrido em 23 de outubro de 2023, terminou com uma estudante morta e três outros alunos feridos.

As conversas dentro da plataforma, segundo prints obtidos por investigadores, mostram o autor dos disparos compartilhando fotos da escola, pedindo dicas sobre como gravar o momento e recebendo orientações para cometer o crime. Os participantes também teriam incentivado o adolescente.

Relatórios de inteligência chegaram a identificar trechos das interações, que continham também menções a outros crimes. Porém, o conteúdo completo nunca foi enviado às autoridades, mesmo com decisão judicial emitida em dezembro de 2023 autorizando o acesso.

Tentativas ignoradas pelo Discord

O inquérito conduzido pelo 69º Distrito Policial (Teotônio Vilela) revela diversas tentativas de obter o material: foram enviados e-mails, feito o cadastro em uma plataforma específica chamada Kodex, e trocadas mensagens com representantes do Discord. Mesmo após seguirem todos os passos indicados, os policiais nunca receberam resposta efetiva.

A última solicitação formal ocorreu em março de 2025. A ausência das mensagens prejudicou o avanço das investigações e impediu a responsabilização de outros jovens que, segundo os investigadores, tinham conhecimento do plano ou colaboraram com o autor do crime.

“A falta de colaboração dificulta o acesso a provas fundamentais para a identificação de cúmplices”, afirmou uma fonte da investigação ao Portal Metrópolis.

PF e Justiça portuguesa também atuam

Diante do impasse, a Polícia Civil enviou nesta terça-feira (10) o inquérito à Justiça, sugerindo que as apurações sigam sob responsabilidade da Polícia Federal. A PF também investiga o ataque à escola, mas declarou que não comenta processos em andamento.

Enquanto isso, em Portugal, um adolescente foi preso sob acusação de ser o criador do grupo onde o ataque foi organizado. Ele está detido preventivamente e já foi denunciado à Justiça portuguesa. As autoridades daquele país afirmam que o jovem incitou o atentado.

No Brasil, apenas o autor dos disparos foi apreendido. Aos 16 anos, ele cumpre medida socioeducativa na Fundação Casa.

Discord afirma colaborar com autoridades

Em nota, o Discord afirmou que “colaborou proativamente com o Ministério da Justiça do Brasil e com as autoridades portuguesas”. A empresa também declarou manter “diálogo contínuo com o sistema judiciário brasileiro” e estar aberta a novas solicitações oficiais.

A plataforma destacou que a segurança é uma prioridade e que já reportou diversos grupos e usuários com comportamentos suspeitos às autoridades brasileiras. Ainda assim, até o momento, a entrega das mensagens do grupo de Sapopemba não foi concluída.

Tragédia em Sapopemba marcou o país

O atentado ocorreu no início da manhã de uma segunda-feira. O adolescente, armado com um revólver do pai, entrou no prédio e abriu fogo contra os colegas. Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, foi morta com um tiro na nuca.

Outras duas alunas foram baleadas, mas sobreviveram. Um quarto estudante teve ferimentos leves ao tentar fugir. O atirador foi detido ainda no local e deu versões diferentes sobre os motivos do ataque.

A morte de Giovanna comoveu o país e reacendeu o debate sobre segurança nas escolas e o papel das plataformas digitais na prevenção de ataques.

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