Diretor da Cedae em Auditoria: Contratos Milionários e Queda de Lucro na Mira do Governo do RJ

Cedae sob lupa: diretor técnico e contratos milionários em auditoria estadual

A gestão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) no Rio de Janeiro está sob forte escrutínio. O diretor técnico e de Projetos, Humberto de Mello Filho, tornou-se o foco de uma auditoria instaurada pelo Governo do Estado. A investigação visa revisar detalhadamente contratos, obras, procedimentos administrativos, fluxos financeiros e decisões estratégicas da estatal.

Essa apuração abrangente, conforme informações da colunista Andreza Matais, do Metrópoles, envolve diversos órgãos da administração estadual. O objetivo é realizar um minucioso pente-fino na gestão da Cedae, especialmente em uma área crucial para os principais acordos e projetos da empresa. Humberto de Mello Filho ocupa a diretoria técnica há vários anos, tendo permanecido no cargo durante diferentes governos.

A auditoria ocorre em um momento delicado para a Cedae, marcado pela deterioração de seus resultados financeiros. A estatal registrou uma queda expressiva de 78,5% em seu lucro líquido em 2025, que despencou de R$ 1,02 bilhão para R$ 219 milhões. Paralelamente, o resultado operacional sofreu uma reviravolta, saindo de um saldo positivo de R$ 627 milhões para um déficit de R$ 424 milhões no mesmo período.

Contratos sob intenso escrutínio da auditoria da Cedae

Entre os acordos que estão sendo minuciosamente analisados pela auditoria, destaca-se o contrato firmado com a Essencio Ambiental. Essa empresa é responsável por serviços de monitoramento nas bacias dos rios Guapiaçu-Macacu e Guandu. Os acordos em questão somam um valor expressivo de R$ 267,7 milhões e já são alvo de questionamentos no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

O TCE-RJ busca comprovar a adequação da capacidade técnica da Essencio Ambiental, conforme exigido no processo de licitação. A auditoria busca garantir a transparência e a legalidade em todos os contratos firmados pela companhia, especialmente aqueles de grande vulto financeiro. A análise detalhada visa identificar possíveis irregularidades.

Investigações sobre a Construverde e investimentos em CDBs

Outro caso que chama a atenção é o da empresa Construverde. Entre 2021 e 2025, a Cedae celebrou quatro contratos com essa companhia, totalizando mais de R$ 355 milhões. Informações obtidas pela auditoria indicam que essas contratações ocorreram mesmo após a Construverde ter acumulado multas administrativas aplicadas pela própria Cedae, que juntas somam aproximadamente R$ 400 mil. A investigação busca entender os critérios utilizados nessas decisões.

Adicionalmente, Humberto de Mello Filho fez parte do grupo de gestores que aprovou a aplicação de cerca de R$ 200 milhões da Cedae em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. Após a liquidação extrajudicial dessa instituição financeira pelo Banco Central, a estatal precisou realizar a provisão integral para a perda desse investimento, gerando um prejuízo considerável.

Auditoria segue em andamento com foco na regularidade de contratos e decisões

A auditoria estadual segue em pleno andamento, com o objetivo de apurar a regularidade dos contratos e das decisões administrativas tomadas pela Cedae nos últimos anos. A expectativa é que os resultados da investigação forneçam um panorama claro sobre a gestão da companhia e eventuais falhas que possam ter contribuído para a atual situação financeira.

O foco está em garantir a boa governança corporativa e a utilização eficiente dos recursos públicos. A análise detalhada de cada contrato e procedimento visa assegurar que os interesses da população e do Estado sejam preservados, fortalecendo a confiança na gestão da Cedae.

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