Diniz admite que Seleção ficou prejudicada com trabalho duplo

Fernando Diniz

O técnico Fernando Diniz admite que Seleção ficou prejudicada com trabalho duplo ao relembrar o período em que comandou simultaneamente o Fluminense e a Seleção Brasileira em 2023. Em entrevista concedida ao “Globo Esporte”, Fernando Diniz reconheceu que a experiência de acumular as duas funções não foi positiva para a equipe nacional, especialmente pela dificuldade em se dedicar integralmente ao cargo.

Campeão da Libertadores com o Fluminense naquele ano, Diniz foi escolhido pela CBF para assumir a Seleção de forma interina enquanto a entidade aguardava a chegada de um técnico estrangeiro. No entanto, a rotina dividida entre o clube e o comando da equipe pentacampeã mundial trouxe desafios que impactaram diretamente o desempenho esperado.

“Não era o ideal. A Seleção ficou prejudicada (com o trabalho duplo). Eu passava muito tempo no Fluminense, não consegui ir à Europa conversar com os jogadores, e estreitar relações é algo que tenho de muito forte no trabalho. E a Seleção também estava num momento de transição. O trabalho de campo foi muito bom. O desempenho foi melhor do que os resultados”, afirmou Diniz em depoimento ao Globo Esporte.

Durante sua passagem pela Seleção, Fernando Diniz promoveu mudanças no estilo de jogo e buscou implementar sua filosofia de posse de bola e movimentação intensa. No entanto, a falta de tempo para uma preparação mais próxima aos atletas, principalmente aqueles que atuavam no futebol europeu, dificultou a consolidação de suas ideias.

A gestão da CBF foi bastante criticada na época pela escolha de um técnico com dupla função, justamente por saber das limitações logísticas e estratégicas que essa decisão acarretaria. Diniz, que sempre foi reconhecido pela proximidade com seus jogadores e pelo trabalho de relacionamento fora de campo, destacou essa ausência como um dos principais fatores que limitaram sua atuação à frente da Seleção.

Além disso, o período em que Diniz esteve no comando coincidiu com uma fase de transição para a equipe brasileira, que buscava renovação após a saída de Tite e a eliminação na Copa do Mundo de 2022. O momento exigia uma liderança presente e dedicada exclusivamente ao projeto, algo que o próprio treinador reconheceu não ter sido possível oferecer.

Apesar das dificuldades, Diniz deixou um legado de boas atuações dentro de campo, mesmo que os resultados não tenham sido expressivos. Seu trabalho foi interrompido com a chegada do técnico definitivo, e ele retornou o foco integral ao Fluminense, onde seguiu sua trajetória vitoriosa.

A declaração sincera de Fernando Diniz reforça a importância de uma dedicação exclusiva no comando da Seleção Brasileira, especialmente em momentos de reconstrução e adaptação. A experiência serve de lição tanto para o treinador quanto para a gestão esportiva nacional, que busca evitar decisões semelhantes no futuro.

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