Os deputados federais Talíria Petrone e Pastor Henrique Vieira, ambos do PSOL-RJ, anunciaram nesta quarta-feira (29) a criação de uma comissão externa para acompanhar os desdobramentos da operação letal no Rio de Janeiro, realizada nos complexos da Penha e do Alemão. A megaoperação, que terminou com mais de 60 mortos, foi classificada pelos parlamentares como a ação policial mais violenta da história do Brasil.
Entre outras iniciativas, a gente está instituindo uma comissão externa para acompanhamento da operação e vamos realizar, na próxima quinta-feira, uma reunião da Comissão de Direitos Humanos com o deputado Reimont (PT-RJ), junto a organizações da sociedade civil e instituições públicas, para discutir o que o Rio está vivendo neste momento, afirmou Talíria Petrone.
A deputada também declarou estar acompanhando a situação com “muita preocupação” e classificou a operação como “inaceitável”. Mais de 65 pessoas mortas em um drama que afeta diretamente o cotidiano de quem mora no Rio. Estamos tentando incidir nessa situação, que é a operação policial mais letal da história do país, disse.
Henrique Vieira destacou que o grupo de parlamentares vai solicitar uma reunião de emergência com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para tratar do caso. Foi o que a Talíria falou: é a operação mais violenta da história do Brasil. Sem critério, sem planejamento, sem enfrentar de fato o crime organizado — apenas enxugando gelo e derramando sangue. Estamos preocupados e estarrecidos, afirmou o pastor.
A megaoperação, deflagrada na terça-feira (28), mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público do Estado, para cumprir mais de 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão. O objetivo era desarticular lideranças do Comando Vermelho em 26 comunidades dos complexos da Penha e do Alemão.
Ao todo, foram registradas 64 mortes, entre elas dois policiais civis e dois militares. Outros oito agentes ficaram feridos, além de quatro pessoas atingidas por balas perdidas. As forças de segurança prenderam 81 suspeitos e apreenderam 93 fuzis, além de grande quantidade de drogas.
Durante coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro afirmou que o Rio conduziu a operação “sozinho”, sem apoio federal. A operação é maior que a de 2010 e não tem auxílio das forças federais. O Rio está sozinho. Esse poder bélico vem de fora e é financiado por lavagem de dinheiro, declarou.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, confirmou que não recebeu nenhum pedido de apoio do governo fluminense. Nem ontem, nem hoje, absolutamente nada, disse o ministro.
A ofensiva também impactou a rotina da cidade: 46 escolas foram fechadas na Penha e no Alemão, e 204 linhas de ônibus precisaram alterar seus itinerários após bloqueios e incêndios provocados por criminosos em protesto à ação policial.














