Deolane Bezerra vira ré em processo por lavagem de dinheiro do PCC; Justiça aceita denúncia e influenciadora terá que apresentar defesa

Deolane Bezerra

Justiça de SP aceita denúncia contra Deolane Bezerra e a torna ré em caso de lavagem de dinheiro

A Justiça de São Paulo deu um passo significativo no caso que envolve a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. Foi aceita a denúncia apresentada pelo Ministério Público, que acusa Deolane de suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com a decisão da 3ª Vara de Presidente Venceslau, Deolane Bezerra passa oficialmente à condição de ré no processo. Ela terá agora um prazo de dez dias para apresentar sua defesa às acusações que lhe são imputadas pelas autoridades judiciais.

A influenciadora, que já se encontra presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista, é apontada pela acusação como uma das peças centrais em um esquema que teria utilizado empresas e movimentações financeiras para ocultar recursos supostamente vinculados à facção criminosa. As informações são da Folha de S. Paulo.

Marcola e familiares também são denunciados

A denúncia recebida pela Justiça não se limita a Deolane Bezerra. Marcos Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como principal líder do PCC, seu irmão Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, identificado como operador financeiro do grupo, também são réus no processo. Outros dois denunciados, Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, encontram-se foragidos.

Operação Vénix investiga transportadora de fachada

O caso é um desdobramento da Operação Vénix, uma investigação que teve início a partir da suspeita de que uma transportadora de fachada estaria sendo usada para movimentar e ocultar recursos supostamente ligados ao PCC. As apurações levaram à prisão de Deolane Bezerra e de Everton de Souza, considerado uma peça importante na estrutura financeira investigada.

Segundo o Ministério Público, a organização criminosa teria utilizado pessoas físicas e jurídicas para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita. A investigação busca rastrear movimentações patrimoniais, operações bancárias e relações financeiras entre os denunciados. Com o recebimento da denúncia, a Justiça entendeu que existem indícios suficientes para a abertura da ação penal.

Defesa de Deolane Bezerra nega envolvimento com o PCC

Após a apresentação da denúncia, a defesa de Deolane Bezerra divulgou uma nota oficial onde rejeita veementemente qualquer envolvimento da influenciadora com atividades criminosas. Os advogados afirmam que ela não integra organização criminosa e que não praticou os delitos que lhe são atribuídos pela acusação.

A defesa assegura que Deolane “não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo”. Os representantes da influenciadora sustentam que a acusação será contestada judicialmente e que os fatos serão devidamente esclarecidos durante a tramitação da ação penal.

Familiares de Marcola também refutam as acusações

Os familiares de Marcola que foram incluídos na denúncia também negam qualquer participação em esquemas ilícitos. O advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos, expressou a intenção de demonstrar inconsistências na narrativa apresentada pelo Ministério Público.

Segundo Ferullo, a defesa irá “demonstrar a fragilidade narrativa acusatória e a improcedência das imputações” contra seus clientes. O advogado argumenta ainda que Marcola e Alejandro, por estarem presos sob rígidas restrições de comunicação, não teriam como participar dos fatos investigados. Leonardo Alexsander e Paloma também refutam as acusações e apresentarão os esclarecimentos e provas pertinentes.

Promotoria aponta vínculo próximo com a família Camacho

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, afirmou que existem elementos que indicam uma relação próxima entre Deolane Bezerra e integrantes da família Camacho. Segundo o promotor, a investigação identificou conexões que vão além de relações casuais, estando associadas ao núcleo familiar da liderança da facção.

“Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados”, disse Gakiya. Um dos pontos analisados é a evolução patrimonial da influenciadora entre 2020 e 2022, período em que a promotoria sustenta ter havido um crescimento expressivo de seus ganhos financeiros, com indícios de incompatibilidade com suas atividades profissionais declaradas.

Deolane alega ter sido presa no exercício da profissão

Em sua declaração na audiência de custódia após a prisão, Deolane Bezerra afirmou que os fatos investigados estão relacionados ao exercício de sua atividade profissional como advogada. Ela chorou ao comentar a acusação e negou irregularidades.

“Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente”, declarou. A identidade do cliente mencionado não foi revelada.

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