Deolane Bezerra Relata Síndrome do Pânico em Relatório do MP, Que Questiona Pedido de Prisão Domiciliar
Um relatório apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta segunda-feira (6/7) revelou que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa há 45 dias na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, declarou sofrer de síndromes de pânico. A informação surge em meio ao julgamento do pedido de prisão domiciliar da defesa de Deolane.
O documento do MPSP tem como objetivo rebater os argumentos da defesa, que busca a transferência da influenciadora para uma Sala de Estado-Maior ou a concessão de prisão domiciliar. Deolane Bezerra é acusada de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado.
Conforme divulgado pelo MPSP, a própria Deolane optou por dividir uma cela com outra detenta, citando o receio de ficar sozinha durante o período em que as portas das habitações permanecem fechadas, devido à síndrome do pânico. A permanência em cela conjunta se deu de forma voluntária e com o consentimento da outra presa, segundo o órgão.
MP Contesta Acusações de Deolane sobre Condições Prisionais
O Ministério Público de São Paulo rebateu diversas alegações da defesa de Deolane Bezerra quanto às condições da unidade prisional. O órgão afirmou que não foram encontradas irregularidades no atendimento à saúde, alimentação, higiene e segurança da advogada.
O MPSP esclareceu que a cela ocupada por Deolane, no Pavilhão Especial, já dispõe de instalações que limitam o contato com outras detentas. Além disso, foi verificado que havia disponibilidade para uma cela individual, mas a influenciadora preferiu dividir o espaço.
Justiça é Pressionada a Negar Habeas Corpus para Deolane
Diante dos fatos apresentados, o MPSP solicitou à Justiça de São Paulo que negue o pedido de habeas corpus interposto pela defesa de Deolane, com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo. A influenciadora se tornou ré no final de junho pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação com organização criminosa.
As investigações apontam que Deolane Bezerra atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, ligada ao PCC. Relatórios indicam movimentações financeiras incompatíveis com sua capacidade econômica declarada, totalizando mais de R$ 27 milhões.
Cronologia da Operação Contra Deolane e o PCC
A investigação que levou à prisão de Deolane Bezerra teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes em presídios que detalhavam a dinâmica interna do PCC e possíveis ataques a agentes públicos. A menção a uma “mulher da transportadora” levou à identificação da Transportadora Lado a Lado como braço financeiro da facção.
Durante a Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, foram apreendidos indícios de repasses financeiros e estreitos vínculos da influenciadora com gestores da transportadora. Deolane Bezerra passou a ser considerada peça chave nas investigações devido a expressivas movimentações financeiras, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC, com recebimentos de origem não esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.
OAB-SP Pede Transferência ou Prisão Domiciliar
A OAB-SP solicitou à Justiça a transferência de Deolane Bezerra para prisão domiciliar ou para uma Sala de Estado-Maior. A entidade argumenta que a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista não se enquadra nos parâmetros definidos pela jurisprudência para a caracterização de Sala de Estado-Maior, onde a influenciadora está presa desde 22 de maio.
Deolane Bezerra, que se tornou ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação com organização criminosa, agora enfrenta a análise de seu pedido de habeas corpus, enquanto o MPSP argumenta contra a soltura com base no relatório sobre sua condição de saúde e as investigações em curso.














