Defesa nega agressão deliberada e aponta tumulto generalizado na Lapa

Influenciadora Carla Lemos

O caso na Lapa envolvendo a influenciadora Carla Lemos ganhou um novo posicionamento após a defesa de um dos envolvidos procurar o Jornal Povo na Rua e encaminhar uma Nota Oficial de Esclarecimento. As advogadas Gabrielly Caldeira Lima Cruz e Flavynia Mozzara Ventura Silva apresentaram a versão de seu cliente, identificado nesta reportagem apenas como Lucas, sobre os acontecimentos registrados na madrugada de 7 de agosto, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

Por solicitação da defesa, o Povo na Rua não reproduzirá o nome completo, a imagem ou outros elementos adicionais capazes de ampliar a identificação de Lucas. A solicitação foi feita após relatos de ameaças, tentativas de localização de seu perfil profissional e possíveis consequências pessoais e profissionais decorrentes da repercussão do caso. O mesmo cuidado será adotado em relação ao amigo que o acompanhava naquela noite.

No dia 10 de agosto, o Povo na Rua publicou a reportagem “Influenciadora Carla Lemos agredida com socos no rosto em roda de samba na Lapa”, apresentando as informações então disponíveis sobre o episódio e identificando a origem das informações utilizadas na publicação.

Após essa publicação, as advogadas procuraram o jornal para apresentar os esclarecimentos da defesa. O Povo na Rua abre espaço para essa manifestação com o objetivo de apresentar aos leitores o contraponto enviado posteriormente, ressaltando que as versões apresentadas pelas partes integram uma ocorrência que ainda está sob apuração.

Segundo a defesa, Lucas estava na Fundição Progresso acompanhado de um amigo quando teria ocorrido uma grave ofensa racial contra esse acompanhante. De acordo com o relato encaminhado ao jornal, um terceiro integrante de um grupo teria dirigido uma expressão racista ao amigo, circunstância que, na versão apresentada pelas advogadas, teria dado origem à discussão.

Ainda conforme a defesa, Lucas teria questionado a pessoa responsável pela suposta ofensa e a situação teria evoluído rapidamente para um confronto físico generalizado, com a participação simultânea de diversas pessoas.

As advogadas sustentam que o cenário era de intensa aglomeração e tumulto, o que dificultaria a identificação precisa da conduta individual dos presentes. Essa circunstância, segundo a defesa, precisa ser considerada na reconstrução dos acontecimentos.

A defesa também nega categoricamente que Lucas tenha agido contra a mulher envolvida por sua condição de mulher ou por sua cor de pele. Segundo as advogadas, a afirmação de que ele teria agido por considerá-la “frágil”, por ser mulher ou por ser negra corresponde à narrativa apresentada pela própria envolvida e não à versão relatada por Lucas e pelas testemunhas que, segundo a defesa, o acompanhavam.

De acordo com a Nota Oficial de Esclarecimento, Lucas não teria se dirigido deliberadamente à mulher com a intenção de agredi-la. A defesa afirma que ele teria inicialmente procurado defender o amigo da suposta ofensa racial e que, depois do início da confusão, passou a tentar proteger a si próprio e o acompanhante das agressões que estariam ocorrendo no local.

As advogadas argumentam ainda que o episódio teria sido apresentado sem a contextualização integral dos acontecimentos anteriores à confusão. Na manifestação encaminhada ao jornal, a defesa sustenta que também devem ser consideradas as agressões que Lucas afirma ter sofrido durante o tumulto.

A nota relata que Lucas teria recebido sucessivos golpes, principalmente na região da cabeça, chegando a perder a consciência. Segundo a defesa, ele somente teria retomado a consciência quando já estava na delegacia. O documento ressalta que a dinâmica exata dos contatos físicos ainda deverá ser esclarecida por meio de imagens, depoimentos e outros elementos probatórios.

Lucas também teria sofrido ferimento no olho direito, com necessidade de sutura, além de lesões no nariz, no braço e na região da cabeça. A defesa afirma que o amigo que estava com ele igualmente sofreu ferimentos durante a confusão. Registros fotográficos, prontuários e outros documentos médicos foram citados pelas advogadas como elementos relacionados às lesões relatadas.

Outro esclarecimento encaminhado posteriormente pela defesa diz respeito aos acontecimentos na delegacia. Segundo o relato apresentado pelas advogadas, Lucas e seu acompanhante estavam naquele momento sem assistência jurídica e teriam sido alvo de provocações por parte da advogada que representava a outra parte.

A defesa afirma que um gesto de beijo, posteriormente mencionado ou registrado, ocorreu dentro desse contexto específico. Segundo as advogadas, o gesto não deveria ser apresentado isoladamente como uma manifestação espontânea de deboche, intimidação ou desprezo pela gravidade da situação, uma vez que, na versão de Lucas e de seu acompanhante, teria ocorrido em reação ao ambiente e às provocações que afirmam ter recebido.

A informação acima corresponde exclusivamente à versão apresentada pela defesa de Lucas sobre o episódio ocorrido nas dependências da delegacia.

A defesa também sustenta que existem elementos indicando que a agressão atribuída a Lucas possa ter sido praticada por outra pessoa presente no local. No entanto, as próprias advogadas ressaltam que essa hipótese depende da análise das imagens de segurança e das demais provas que vêm sendo reunidas pelas autoridades.

Os acontecimentos foram levados ao conhecimento da autoridade policial e, conforme a nota encaminhada pela defesa, ainda não existe conclusão definitiva acerca da dinâmica das agressões ou da autoria individualizada de cada conduta. Também são mencionadas providências destinadas à apuração da suposta ofensa racial que, segundo a defesa, teria ocorrido antes do início da confusão.

As advogadas Gabrielly Caldeira Lima Cruz e Flavynia Mozzara Ventura Silva afirmaram ainda permanecer à disposição da imprensa e das autoridades para prestar esclarecimentos adicionais e apresentar os elementos documentais pertinentes, dentro dos limites necessários à preservação das investigações.

O Jornal Povo na Rua publica os esclarecimentos apresentados com o objetivo de garantir espaço ao posicionamento da defesa e oferecer aos leitores acesso às diferentes versões relacionadas ao episódio. As acusações e contrapontos apresentados pelas partes não são tratados nesta publicação como conclusões definitivas, cabendo às autoridades responsáveis pela investigação esclarecer a dinâmica dos acontecimentos e as eventuais responsabilidades individuais.

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