O CV aterroriza moradores do Morro do Amorim desde que invadiu a pequena comunidade em Manguinhos, Zona Norte do Rio, no fim do mês passado. Com cerca de 2.823 habitantes, a favela fica ao lado da Avenida Brasil e da Linha Amarela e era controlada por milicianos até a chegada da facção, que rapidamente impôs novas regras e ameaças.
Conforme a reportagem de Felipe Grinberg do jornal Extra, traficantes ordenaram a retirada de todas as câmeras de segurança das ruas e proibiram conversas com policiais. Quem entra de carro na comunidade precisa baixar todos os vidros e desligar os faróis; o descumprimento dessas regras é punido com violência. Mensagens pichadas nos muros reforçam as ordens e trazem a assinatura “Nova direção”.
Apesar do tamanho reduzido, o Morro do Amorim é estratégico para o Comando Vermelho, pois amplia o domínio sobre a região de Manguinhos e cria um ponto de apoio próximo à Avenida Brasil. A quadrilha, investigada por extorsões a moradores e comerciantes, usa o território como parte de sua expansão na capital.
O local também é cercado por áreas de disputa. De um lado, a milícia ainda mantém influência em regiões próximas; do outro, o Complexo da Maré é controlado em grande parte pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A proximidade com a Fundação Oswaldo Cruz e o Hospital Federal de Bonsucesso aumenta a relevância da área.
Após a invasão, a Polícia Militar intensificou operações na comunidade e afirmou que mantém uma base da UPP de Manguinhos, responsável por rondas e trabalhos de inteligência para identificar e prender criminosos. A Polícia Civil também investiga a atuação de grupos armados na região.














