O velório dos traficantes mortos em Cabo Frio durante a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, foi marcado por comoção e protestos nesta sexta-feira (31). A cerimônia aconteceu no bairro Manoel Corrêa, conhecido como Favela do Lixo, e reuniu dezenas de familiares, amigos e moradores da comunidade sob forte clima de dor e indignação.
De acordo com informações locais, a Polícia Militar reforçou o policiamento em toda a região para evitar tumultos e garantir a segurança durante o velório. A tensão aumentou após a divulgação dos números oficiais da operação, considerada a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos — entre eles, traficantes da Região dos Lagos.
Os corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) na noite de quinta-feira (30). Familiares ainda aguardam a liberação de outros três corpos, com sepultamentos previstos para as próximas horas. O Governo do Estado confirmou que equipes da Polícia Civil e da Defensoria Pública acompanham os trâmites de perícia e identificação das vítimas.
Um dos sepultamentos mais emocionados foi o de Victor Hugo, conhecido como “VT”, morador do Morro da Coca-Cola, em Arraial do Cabo. O jovem foi velado na Igreja Jesus Esperança, no bairro Sítio, e enterrado na manhã desta sexta-feira. Durante a despedida, amigos soltaram fogos e realizaram um buzinaço no centro da cidade — ato que chamou atenção das autoridades por questões de segurança.
A megaoperação que resultou nas mortes foi deflagrada pela Polícia Civil e Militar como parte da chamada “Operação de Contenção”, que teve início na terça-feira (28). Segundo o governo estadual, o objetivo era neutralizar grupos ligados ao Comando Vermelho (CV) que planejavam ataques coordenados em represália à morte de chefes do tráfico.
Apesar das justificativas oficiais, a ação gerou críticas de entidades de direitos humanos e de organizações civis que cobram investigação independente sobre o alto número de mortes. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também se manifestou, classificando o episódio como um dos mais graves da história recente da segurança pública no país.
Enquanto os enterros seguem em diferentes cidades da Região dos Lagos, o clima de luto e revolta continua em Cabo Frio. Autoridades locais mantêm o esquema de segurança reforçado e pedem calma à população para evitar confrontos durante as cerimônias.














