O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) anulou a sentença de Anderson Henrique Brandão, condenado por matar fã de Taylor Swift no Rio durante a passagem da cantora pela cidade em novembro de 2023. A decisão, que absolve o réu, se baseou em um recurso da Defensoria Pública, que alegou fragilidade nas provas apresentadas.
O crime aconteceu em meio ao grande fluxo de turistas que vieram acompanhar os shows de Taylor Swift no Estádio Nilton Santos. A vítima, Gabriel Mongenot Santana Milhomem Santos, natural do Mato Grosso do Sul, foi morto na Praia de Copacabana enquanto dormia na areia ao lado de amigos.
De acordo com relatos, dois homens, entre eles Anderson, se aproximaram do grupo. Gabriel teria se assustado com a abordagem e, durante a tentativa de se defender, foi esfaqueado e não resistiu aos ferimentos.
Anderson chegou a ser condenado a 33 anos de prisão em junho de 2024. No entanto, em outubro do mesmo ano, a 6ª Câmara Criminal do TJ-RJ decidiu anular a sentença, alegando falta de elementos robustos que comprovassem sua participação no crime.
O segundo acusado no caso, Jonathan Batista, também foi absolvido na mesma decisão.
A decisão do Tribunal causou revolta em parte da população e reacendeu o debate sobre a atuação do sistema de Justiça no Brasil. Críticas surgiram principalmente sobre a incapacidade de reunir provas suficientes, mesmo em casos de repercussão nacional.
“A polícia continua prendendo e a Justiça soltando. Se um homem com várias passagens pela polícia não é preso, quem será?”, questionou um morador, em depoimento ao jornal Diário do Rio.
Mesmo após a absolvição, Anderson foi preso novamente em março de 2025, após um outro episódio, desta vez conduzido pela Guarda Municipal. No entanto, foi novamente solto no mesmo mês, conforme informou a Secretaria de Administração Penitenciária.
O caso levanta discussões sobre as falhas estruturais que envolvem a segurança pública e o Judiciário brasileiro. De um lado, apontam-se fragilidades nas investigações feitas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que, segundo a decisão do TJ-RJ, não foram capazes de produzir provas irrefutáveis. Do outro, cresce o questionamento sobre decisões que, segundo parte da opinião pública, favorecem criminosos reincidentes.
Especialistas em segurança pública defendem que o problema não se restringe à atuação de um único setor, mas à soma de uma legislação defasada, dificuldades na coleta de provas e sobrecarga das instituições.
“É uma engrenagem que não funciona. A Polícia não tem os recursos necessários para investigar como deveria, o Ministério Público sofre com excesso de demandas e o Judiciário, por sua vez, acaba lidando com processos frágeis, onde muitas vezes não há alternativa senão soltar os réus”, explicou um especialista em segurança pública, em depoimento ao Portal Diário do Rio.
A morte de Gabriel Mongenot, que estava no Rio exclusivamente para assistir ao show de Taylor Swift, gerou enorme comoção nacional. A situação reacendeu também o debate sobre a segurança de turistas na capital fluminense, principalmente durante grandes eventos.
Até o momento, não há informações se o Ministério Público irá recorrer da decisão ou se novas investigações serão abertas para apurar os fatos de forma mais aprofundada.
Enquanto isso, o caso segue como mais um retrato das dificuldades enfrentadas na busca por justiça e segurança, tanto para os moradores quanto para quem visita o Rio de Janeiro.














