Clube da Light é demolido no Grajaú e marca o fim de um dos espaços mais tradicionais de lazer da Zona Norte do Rio de Janeiro. O local, que durante décadas reuniu moradores em atividades esportivas e sociais, foi derrubado no início deste ano para dar lugar à construção de um condomínio, gerando forte comoção na comunidade.
A antiga Associação Atlética Light era considerada um ponto de encontro importante no bairro, reunindo diferentes gerações em momentos de convivência. Com a demolição, moradores relatam a perda de um espaço que ia além do lazer, carregando histórias pessoais e vínculos afetivos construídos ao longo do tempo.
Rafael Costa, de 43 anos, destacou o impacto da mudança ao relembrar sua trajetória no clube. “Minhas amizades de mais de 30 anos foram construídas no clube. Até pouco tempo atrás, jogávamos bola nesse mesmo campo e tivemos que migrar para outro. É uma perda enorme. O clube era tombado e eles deram um jeito de destombar para conseguir vender”, afirmou em depoimento ao jornal O Dia.
Além das memórias, moradores também apontam consequências práticas para o dia a dia do bairro. A autônoma Brenda de Jesus, de 23 anos, ressaltou a importância do espaço para as crianças e criticou a retirada da vegetação. “Está fazendo falta, principalmente para as crianças. Havia muitas crianças que frequentavam o clube, era uma opção de lazer. Além disso, também estamos sentindo falta das árvores, por causa das sombras”, disse ao jornal O Dia.
A aposentada Maria de Fátima, de 72 anos, também relembrou a ligação familiar com o clube. “Meus filhos cresceram ali, jogando bola, fazendo natação. A retirada da vegetação foi incabível, tiraram muitas árvores. Eu moro em um apartamento de frente, bate sol o dia inteiro, então as árvores eram um refresco”, relatou ao jornal O Dia.
O terreno onde funcionava o clube tem uma longa trajetória, iniciada no início do século passado. Ao longo dos anos, o espaço passou por diferentes fases até se consolidar como a Associação Atlética Light, tornando-se referência na região.
O advogado Wagner Coe, que atuou na gestão do clube por décadas, explicou como o processo de venda se desenrolou. “A Light sempre foi dona do terreno e, com a privatização, passou a procurar compradores. A intenção deles era vender o terreno assim que arranjassem alguém interessado”, afirmou ao jornal O Dia.
Ele também destacou a redução no número de associados ao longo do tempo. “O Clube da Light chegou a ter 15 mil sócios e, agora, no final, tinha 184 sócios pagantes”, disse ao jornal O Dia.
Segundo o ex-presidente, fatores como mudanças no perfil urbano e dificuldades financeiras contribuíram para o enfraquecimento das atividades. “Na região do Grajaú, os prédios estão subindo com piscina e quadra, então os moradores já não têm essa dependência”, explicou ao jornal O Dia.
A situação do clube reflete um cenário mais amplo enfrentado por diversas associações tradicionais da cidade, que têm perdido espaço diante de novas dinâmicas urbanas e mudanças no comportamento dos moradores.
Com a demolição, o bairro se despede de um símbolo de convivência e história — e deixa um sentimento coletivo de perda que ainda ecoa entre quem viveu momentos marcantes no local.














