Cláudio Castro divulga prisão de Belão e critica falta de apoio federal ao Rio

Cláudio Castro divulga prisão de Belão

A prisão de Belão, um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV), foi anunciada nesta terça-feira (28) pelo governador Cláudio Castro, após uma megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. Segundo Castro, Thiago Nascimento Mendes, conhecido como Belão, é apontado como um dos articuladores logísticos e financeiros da facção.

O governador classificou a ação como um “estado de defesa” diante do avanço do crime organizado no estado. “Para uma guerra nós deveríamos ter um apoio muito maior, talvez até de Forças Armadas, porque é uma luta que já extrapolou toda a ideia de segurança pública. Extrapola completamente quando você tem essa quantidade de armas que vêm do tráfico internacional”, afirmou.

A operação, que envolveu mais de dois mil agentes das polícias Civil e Militar, terminou com pelo menos 20 mortos — entre eles, 18 suspeitos e dois policiais civis identificados como Marcus Vinicius, da 53ª DP (Mesquita), e Rodrigo, da 39ª DP (Pavuna). Outros nove agentes ficaram feridos, e três moradores foram atingidos por balas perdidas.

Durante o confronto, criminosos incendiaram barricadas e lançaram explosivos por drones. Moradores relataram tiroteios intensos e o fechamento de vias nas comunidades. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra traficantes fugindo em fila pela mata, lembrando cenas da ocupação policial de 2010.

Entre os presos, além de Belão, está Nicolas Fernandes Soares, apontado como o responsável pela movimentação financeira da facção na região. De acordo com a Secretaria de Segurança, a operação visava cumprir mandados contra integrantes do Comando Vermelho e enfraquecer sua estrutura de atuação interestadual.

Cláudio Castro também aproveitou o anúncio para criticar a ausência de colaboração do governo federal. “É muito fácil criticar as forças estaduais, criticar o governador, quando o Estado está, talvez, excedendo as suas competências. Mas nós jamais abandonaremos a população. Se tiver que exceder, nós excederemos mais ainda para proteger”, disse.

O governador afirmou ainda que o Rio de Janeiro tem sido deixado sem suporte nacional para lidar com o armamento pesado que entra por fronteiras federais. Segundo ele, o estado já recebeu três negativas de empréstimo de blindados e apoio logístico. “Desta vez não fizemos o pedido porque já tivemos três negativas. Cada dia há uma razão diferente para não colaborar”, completou.

O confronto provocou fortes impactos nas comunidades. Ao todo, 45 escolas foram fechadas, 5 unidades de saúde suspenderam atendimentos e 12 linhas de ônibus tiveram trajetos alterados. O comércio em ruas como Itararé e Nova Brasília também ficou paralisado durante toda a manhã.

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