O policial morto em operação no Alemão, na manhã desta terça-feira (28), foi identificado como Marcus Vinicius, chefe da 53ª Delegacia de Polícia (Mesquita), conhecido entre os colegas pelo apelido de Máskara. Ele foi baleado durante uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, que reuniu cerca de 2,5 mil agentes para conter o avanço do Comando Vermelho (CV) e prender líderes do tráfico no estado e em outras regiões do país.
Durante o confronto, uma policial que participava da ação comunicou por áudio à corporação que Marcus Vinicius havia sido atingido na cabeça. “Galera, o Máskara foi baleado na cabeça, a gente tá preso aqui na favela, estou pedindo prioridade, tem que dar uma atenção, é sério, o Máskara foi baleado na cabeça”, disse a agente em meio ao tiroteio.
O delegado foi levado com urgência para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu aos ferimentos. Até o fim da manhã, a Secretaria de Segurança confirmou a morte de dois policiais civis e o ferimento de outros seis agentes, incluindo um cabo do Bope e um delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
Marcus Vinicius tinha mais de 20 anos de carreira e era reconhecido por atuar de forma direta em operações, mesmo ocupando cargos de chefia. Colegas descreveram o delegado como um profissional experiente e dedicado ao enfrentamento do crime organizado. Ele assumia o comando da 53ª DP e costumava liderar ações em campo, o que reforçava seu respeito dentro da corporação.
A operação desta terça, batizada de Contenção, teve como objetivo cumprir 51 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, 30 deles de fora do estado. Segundo o Ministério Público, o Complexo da Penha tornou-se uma das principais bases da expansão nacional da facção, com criminosos atuando a partir de 12 estados.
O confronto deixou ainda quatro moradores mortos e provocou o fechamento de 45 escolas municipais, além da suspensão temporária de atendimentos em cinco unidades de saúde. Drones usados por criminosos chegaram a lançar explosivos contra os agentes, segundo o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos.
Entre os presos está o operador financeiro de Edgard Alves de Andrade, o Doca, apontado como uma das lideranças do CV na Penha. Ele e outros chefes da facção, como Pedro Bala, Gadernal e Grandão, seriam responsáveis pela expansão do tráfico em áreas anteriormente dominadas por milícias, como Gardênia Azul e César Maia.














