O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, voltou a cobrar maior envolvimento do governo federal nas ações de segurança pública e criticou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ele, não tratar o tema como prioridade nacional. Em entrevista ao portal Metrópoles, o governador afirmou que o estado enfrenta uma guerra contra o crime organizado praticamente sozinho.
“É uma crítica recorrente que eu faço: entendo que essa gestão não vê segurança pública como prioridade. Essa é uma crítica que mantenho”, declarou Castro, ao destacar a falta de apoio federal em operações realizadas em comunidades dominadas por facções criminosas.
Segundo o governador, a ausência de fiscalização nas fronteiras permite a entrada de armamentos pesados no país. Ele lembrou que o Rio de Janeiro apreendeu 732 fuzis em 2024, mesmo sem fabricar armas. “Essas armas entram pelas fronteiras federais. Não há, pelo que temos visto, ações efetivas. A Polícia Federal estourou uma fábrica de fuzis em São Paulo, o que é louvável, mas esses fuzis continuam entrando pelas estradas federais”, afirmou.
Castro também comentou a megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28), considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 64 mortos. O governador lamentou a perda de quatro policiais e classificou os agentes como as “grandes vítimas da operação”. “Fico triste com nossos policiais que deram a própria vida para proteger a população. A princípio seriam 60 criminosos mortos. Na minha opinião, o policial é a grande vítima dessa operação”, disse.
Durante a entrevista, o governador revelou ainda que o governo federal negou o pedido de envio de blindados da Marinha, solicitados para reforçar ações em áreas de alto risco. “A resposta que tivemos é que, como o blindado precisa de operador federal, seria necessária uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem). O presidente já afirmou várias vezes que é contra e não dará GLO alguma. Então sabemos que não teremos ajuda dos blindados federais”, relatou.
O pedido, enviado em 29 de janeiro, solicitava apoio logístico da Marinha, com veículos blindados, operadores e mecânicos. O ofício foi encaminhado ao ministro da Defesa, José Mucio, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) condicionou o atendimento à decretação de uma GLO — o que não ocorreu.
As declarações de Castro ampliam o clima de tensão entre o governo estadual e o Palácio do Planalto, especialmente após a operação que deixou dezenas de mortos e reacendeu o debate sobre o papel das forças federais no combate ao crime. O governador defende que o enfrentamento à criminalidade no Rio exige integração nacional e coordenação nas fronteiras, ressaltando que o problema não é apenas do estado.
“O Rio está há muito tempo pedindo ajuda. Falta uma política nacional de segurança que trate o tráfico e as armas como questões de Estado, não apenas de polícia”, concluiu.














