O Monumento a Zumbi dos Palmares, localizado na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, voltou a ser alvo de pichação. O memorial, símbolo da luta e da resistência do povo negro, foi vandalizado no último fim de semana e passou por limpeza realizada por equipes da Secretaria Municipal de Conservação nesta segunda-feira (27).
A escultura, inaugurada em 9 de novembro de 1986, foi idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro e projetada pelo arquiteto João Figueiras Lima (Lelé), com execução do engenheiro Humberto Moura. Com 39 anos de história, o monumento é um marco da consciência negra e da valorização da herança afro-brasileira — e tem sido, infelizmente, alvo recorrente de vandalismo.
Em nota, a Secretaria de Conservação repudiou o ato, classificando-o como “um desrespeito à história, à cultura negra e à memória coletiva do povo brasileiro”. Técnicos da pasta informaram que a limpeza foi concluída ainda na tarde de segunda-feira, mas o local continuará sendo monitorado.
A homenagem a Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do período colonial, foi criada para celebrar a resistência à escravidão e a luta pela liberdade. Por não existirem registros autênticos do rosto de Zumbi, os artistas utilizaram como referência uma escultura em bronze de um rei do Benim, datada do século XII e pertencente ao acervo do Museu Britânico. O modelo original, de 36 centímetros, foi ampliado para três metros de altura e fundido em 800 quilos de bronze.
O ato de vandalismo acontece às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data que marca a morte de Zumbi, em 1695. Desde dezembro de 2023, a data é reconhecida como feriado nacional, reforçando a importância da reflexão sobre igualdade racial, respeito e valorização da identidade negra no Brasil.














