Claudia Cardinale, ícone do cinema europeu, morre aos 87 anos em Paris

Claudia Cardinale

A atriz Claudia Cardinale, um dos maiores nomes do cinema europeu, morreu nesta terça-feira (23), em sua casa na capital francesa, aos 87 anos. A informação foi confirmada por seu agente, Laurent Savry, que destacou que a artista faleceu cercada pelos filhos.

Com uma carreira que atravessou seis décadas e contabiliza 175 produções, Cardinale se consolidou como símbolo de talento, beleza e resistência. Nascida em Túnis, na Tunísia, em 1938, filha de pais sicilianos, ela começou a ganhar notoriedade ao vencer um concurso de beleza ainda adolescente, que a levou ao Festival de Cinema de Veneza. Mesmo relutante, mergulhou na era de ouro do cinema italiano, trabalhando com mestres como Federico Fellini, Luchino Visconti e Sergio Leone.

Reconhecida por sua presença magnética e voz marcante, Claudia brilhou em clássicos como Oito e Meio (1963), de Fellini, O Leopardo (1963), de Visconti, e Era uma vez no Oeste (1968), de Leone. Também atuou em Hollywood, participando de A Pantera Cor-de-Rosa e O Mundo do Circo, ao lado de nomes como Peter Sellers, John Wayne e Rita Hayworth. Durante os anos 1960, estampou quase 700 capas de revistas e chegou a ser referenciada na cultura pop, aparecendo no encarte do álbum Blonde on Blonde, de Bob Dylan.

Sua vida pessoal, no entanto, também foi marcada por desafios. Vítima de violência sexual na juventude, engravidou e enfrentou pressões para esconder a verdade, episódio que mais tarde transformou em bandeira de superação. Ao longo da trajetória, destacou-se como defensora dos direitos das mulheres e, em 2000, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO.

Mesmo sem recorrer a cirurgias estéticas, Claudia continuou atuando até os 80 anos em produções teatrais e cinematográficas. Seu último grande relacionamento foi com o diretor Pasquale Squitieri, com quem viveu até a morte dele, em 2017.

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