Cine Vaz Lobo: Prefeitura desapropria cinema histórico e investe R$ 19 milhões para criar novo centro cultural na Zona Norte

A Prefeitura do Rio oficializou a desapropriação do Cine Vaz Lobo, um marco da Zona Norte, com investimento de R$ 19 milhões para transformá-lo em centro cultural. A iniciativa visa recuperar o prédio histórico e oferecer um novo espaço de arte e lazer para a região.

Um dos mais tradicionais cinemas de rua do Rio de Janeiro, o Cine Vaz Lobo, na Zona Norte, agora pertence oficialmente ao município. A Prefeitura do Rio oficializou nesta sexta-feira (7) a desapropriação do imóvel histórico, que passará por uma completa revitalização para se tornar um vibrante centro cultural. O investimento total previsto para este projeto ambicioso é de R$ 19 milhões.

Este montante engloba não apenas a aquisição do prédio, mas também as obras de restauração necessárias para devolver o esplendor ao local, além da instalação de equipamentos modernos. A medida, assinada pelo prefeito Eduardo Cavaliere e publicada no Diário Oficial, atende a um antigo anseio de moradores e movimentos ligados à preservação da memória local, abrindo caminho para a incorporação do bem ao patrimônio público.

A desapropriação do Cine Vaz Lobo marca uma nova fase para a região, consolidando o esforço de mais de 15 anos de mobilização comunitária. A expectativa é que o espaço, outrora um vibrante ponto de encontro, volte a pulsar com atividades culturais e educativas, beneficiando Vaz Lobo e bairros vizinhos. Conforme informação divulgada pela Prefeitura do Rio, o projeto prevê a revitalização do imóvel histórico.

Um Novo Polo Cultural Multifuncional

O projeto detalhado para o antigo Cine Vaz Lobo prevê um espaço cultural multifuncional, pensado para atender às diversas necessidades dos moradores. A sala principal, com sua arquitetura preservada, incluindo camarotes e o forro acústico original, será adaptada para funcionar como cinema e teatro. O mezanino ganhará salas multiuso, ideais para cineclubes, palestras e seminários, ampliando as possibilidades de uso.

Além das salas de exibição e performance, o complexo cultural abrigará salas para cursos e oficinas de dança, estúdios de edição de áudio e vídeo, e um centro de tecnologia da informação. Uma biblioteca, um museu digital e uma cafeteria também estão previstos, complementando a oferta de serviços. A área externa será reurbanizada, com a criação de uma praça e um teatro de arena, integrando o espaço à vida urbana.

Mais de uma Década de Luta pela Preservação

A desapropriação oficializada é o culminar de uma mobilização comunitária iniciada há mais de 15 anos. Em 2010, historiadores e moradores fundaram o Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória e o Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá para defender o imóvel. Uma vitória importante ocorreu em 2011, quando a mobilização conseguiu alterar o traçado original do BRT Transcarioca, evitando a demolição do cinema.

Em 2015, a fachada art déco e a volumetria do Cine Vaz Lobo foram oficialmente tombadas como patrimônio histórico. A desapropriação e o investimento de R$ 19 milhões agora consolidam essa conquista, garantindo a recuperação e a nova função do espaço. A Prefeitura do Rio deverá agora avançar nos projetos executivos e no processo de licitação para o início das obras.

O Legado do Antigo Palácio do Cinema

Inaugurado em 5 de janeiro de 1941, o Cine Vaz Lobo foi um dos grandes cinemas de rua que marcaram a vida cultural do subúrbio carioca. Com capacidade para 1.800 espectadores, o local foi, por décadas, um importante ponto de encontro e um motor para o comércio local. Após anos fechado, o prédio está prestes a retomar sua vocação cultural, agora como um equipamento público essencial para a comunidade.

A transformação do Cine Vaz Lobo em centro cultural não é apenas a recuperação de um prédio histórico, mas a revitalização de um espaço de memórias e a criação de novas oportunidades de acesso à cultura e educação para os moradores da Zona Norte do Rio de Janeiro. O investimento de R$ 19 milhões é um passo significativo para o futuro cultural da região.

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