Ciclovias desconectadas no Rio aumentam risco e expõem falhas na mobilidade

Ciclovia no Humaitá

O problema das ciclovias desconectadas no Rio tem preocupado quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. Em diferentes regiões da cidade, a falta de continuidade nas vias exclusivas obriga ciclistas a dividir espaço com carros ou buscar alternativas irregulares, aumentando os riscos no trânsito.

Em vários pontos, as faixas destinadas às bicicletas começam e terminam sem ligação com outros trechos. Esse cenário faz com que o ciclista precise sair da ciclovia de forma abrupta, muitas vezes entrando diretamente na via dos veículos ou até mesmo na calçada, o que não é permitido.

No Centro da cidade, por exemplo, há um trecho que simplesmente não se conecta a nenhuma outra estrutura cicloviária. A ausência de continuidade cria situações perigosas, especialmente em cruzamentos onde a visibilidade já é comprometida por carros estacionados.

Casos semelhantes se repetem em bairros como Humaitá, Botafogo, Copacabana e Ipanema. Em alguns locais, a ciclovia termina em muros; em outros, acaba em cruzamentos ou não chega a se conectar com trajetos já existentes, como as ciclovias da orla.

Há também situações em que o trajeto se encerra na calçada, sem qualquer tipo de orientação para travessia segura. Nesses casos, o ciclista precisa improvisar o percurso, seja retornando ou dividindo espaço com o tráfego intenso.

Além da falta de conexão, usuários relatam outros problemas recorrentes, como buracos, sinalização inadequada e veículos ocupando indevidamente as faixas exclusivas. A fiscalização limitada contribui para agravar ainda mais a situação.

Especialistas apontam que essa descontinuidade compromete diretamente a segurança e a eficiência do sistema cicloviário. Para o professor Leandro da Rocha Vaz, da Uerj, medidas de organização do tráfego poderiam reduzir conflitos entre diferentes tipos de veículos.

“Na Ponte Rio-Niterói, limitaram o horário da movimentação de caminhões para diminuir a concorrência com os veículos. Uma sugestão seria limitar os autopropelidos nos horários de rush e estabelecer rotas seguras em ruas mais largas”, afirmou.

Apesar das críticas, a ampliação da malha cicloviária segue como uma das promessas da prefeitura. O plano CicloRio prevê a expansão da rede ao longo dos próximos anos, com metas ambiciosas de crescimento.

Atualmente, a cidade conta com pouco mais de 500 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Nos últimos anos, o aumento foi considerado tímido diante da demanda crescente por mobilidade alternativa.

Segundo a CET-Rio, a implantação de novas ciclovias depende de diversos fatores técnicos, como largura das vias, fluxo de veículos, condições do entorno e questões de segurança e drenagem.

Já a Prefeitura informou que pretende ampliar a rede nos próximos anos, mas ainda há desafios para garantir que os novos trechos sejam realmente conectados e funcionais.

Enquanto as soluções não saem do papel, quem depende da bicicleta segue enfrentando obstáculos diários — e a sensação de que, em muitos pontos da cidade, o caminho simplesmente termina antes do destino.

Limpatech