Celina Leão Determina Auditoria em Folhas de Pagamento do GDF Após Denúncias de Irregularidades em Descontos Salariais

Governo do DF instaura auditoria para revisar folhas de pagamento e garantir ressarcimento a servidores

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou a instauração de um procedimento para auditar as folhas de pagamento do GDF. A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), tem caráter preventivo e visa apurar denúncias de possíveis irregularidades em descontos de salários e benefícios de servidores e pensionistas.

A iniciativa surge dias após a Operação Juros Zero, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que investiga um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento do funcionalismo público local. A coluna Grande Angular foi a primeira a noticiar a informação sobre o decreto e a operação.

Celina Leão enfatizou que os salários dos servidores são sagrados e que a auditoria busca identificar e recuperar recursos indevidamente retirados dos trabalhadores. A Procuradoria-Geral do DF (PGDF) também foi acionada para buscar meios legais de garantir o ressarcimento.

O que diz o decreto e o objetivo da medida

O artigo 1º do decreto estabelece a instauração de um procedimento de revisão de conformidade, conciliação e saneamento dos gastos com pessoal e dos descontos consignados em folha de pagamento do Poder Executivo do Distrito Federal. A governadora Celina Leão declarou em suas redes sociais que o objetivo é ir atrás dos recursos retirados dos servidores e pensionistas do GDF.

“Determinei, ainda, que a PGDF busque meios legais para garantir o ressarcimento dos recursos dos servidores públicos. O salário, as aposentadorias e as pensões dos servidores do GDF são sagrados”, anunciou a governadora, reforçando o compromisso com a integridade financeira do funcionalismo.

Operação Juros Zero e os envolvidos

A auditoria no GDF ocorre em um contexto de investigação mais ampla. A Operação Juros Zero, do MPDFT, apura um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento, com alvos que incluem o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e outras associações ligadas ao caso.

A investigação do MPDFT, assim como uma inspeção anterior do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), aponta para irregularidades em descontos relacionados a empréstimos consignados e ao serviço de antecipação de salário oferecido pelo PicPay aos servidores do GDF. O contrato com a Secretaria de Economia do DF foi assinado em setembro de 2024.

PicPay e a polêmica dos descontos em folha

Segundo o TCDF, houve um “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento, referente à amortização do serviço contratado com o PicPay. Os valores de consignados nessa modalidade totalizaram R$ 11,7 milhões em 2024 e atingiram R$ 70 milhões entre janeiro e agosto de 2025.

Um relatório de inspeção do TCDF indicou que o PicPay descontou R$ 81,7 milhões em salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025. Em fevereiro, a Corte de Contas determinou a suspensão de novos descontos em folha vinculados ao banco digital, após identificar a aplicação irregular de uma taxa sobre a antecipação salarial. O PicPay é o único habilitado para realizar o desconto compulsório na folha de pagamento do GDF desde 2024, operação realizada pela BRB Serviços.

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