A Polícia Civil de São Paulo avançou significativamente no caso do brutal homicídio da cozinheira Berenice, com a prisão de três pessoas investigadas pelo crime e pela ocultação de seu corpo. As prisões são resultado de um trabalho investigativo meticuloso que durou mais de um mês, envolvendo diversas frentes de apuração.
As investigações reuniram um amplo conjunto de provas técnicas e testemunhais. A análise de imagens de monitoramento, rastreamento de veículos, perícias detalhadas, laudos, extração de dados telemáticos e telefônicos, além de oitivas de testemunhas, foram cruciais para desvendar a dinâmica do crime e identificar a participação dos envolvidos. As diligências ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Conforme informação divulgada pela Polícia Civil, na terça-feira (4), um homem de 31 anos, identificado pelas iniciais M. dos S. N. B., foi preso. Ele é investigado por participação direta no homicídio e ocultação de cadáver, sendo procurado pela Justiça por ser foragido e sobrinho da principal investigada. Na segunda-feira (3), o companheiro da principal investigada, I. C., de 55 anos, também foi capturado.
Policial Militar da Reserva Capturado em Ubatuba
O companheiro da principal investigada, I. C., policial militar da reserva, foi detido em uma residência no bairro do Estaleiro, em Ubatuba. Ele recebeu voz de prisão sem resistência e permanecerá à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia, após a qual será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.
Com a prisão de I. C., a Polícia Civil cumpriu dois mandados de prisão preventiva. Um deles foi expedido para E., apontada como a autora dos disparos que vitimaram Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos. A vítima estava desaparecida desde 30 de junho e seu corpo foi encontrado cerca de 15 dias depois em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Motivação e Dinâmica do Crime Esclarecidas
As apurações indicam que divergências relacionadas ao pagamento de verbas trabalhistas foram o motivo para o crime. Berenice trabalhava há cerca de quatro meses em uma pousada em Ubatuba. Segundo os elementos reunidos no inquérito, a cozinheira foi morta no mesmo dia em que desapareceu, após ser levada em uma caminhonete com a falsa promessa de ser encaminhada ao hospital.
Posteriormente, o corpo de Berenice foi transportado para o Rio de Janeiro e descartado em uma região de mata de difícil acesso. A investigação também apontou para tentativas de ocultação de provas, como reparos no veículo utilizado na ação criminosa, descarte e substituição de celulares, e exclusão de dados para dificultar a elucidação do caso. Vestígios de sangue humano foram encontrados nos veículos periciados, corroborando a versão da equipe de investigação.
Investigação Complexa e Integração de Equipes
O delegado seccional da Polícia Civil em São Sebastião, André Costilhas, descreveu a investigação como complexa. Ele destacou o rigor técnico e a integração entre equipes, que reuniram provas periciais, dados de inteligência, análises de imagens e rastreamento de veículos. “Cada elemento coletado foi essencial para reconstruir a dinâmica do crime, identificar a participação dos envolvidos e representar pelas medidas cautelares que permitiram o avanço das investigações”, afirmou.
O trabalho policial continua em andamento com o objetivo de localizar e prender o suspeito que ainda está foragido. A prisão de três investigados representa um passo crucial para a completa elucidação do chocante homicídio da cozinheira Berenice e a aplicação da justiça.














