Dois caçadores foram presos em flagrante nesta sexta-feira (16) após capturarem uma fêmea de macaco-prego dentro do Parque Nacional da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O animal, aparentemente dopado, estava escondido em uma mochila e seria traficado ilegalmente.
Segundo apuração de Patricia Lima, do portal Diário do Rio, a dupla já era monitorada por autoridades ambientais e policiais havia semanas. As equipes acompanharam toda a movimentação dos suspeitos, desde a entrada na floresta até o momento em que deixaram a unidade de conservação com o animal capturado.
A prisão foi feita por agentes do 6º BPM na altura do número 800 da Avenida Édison Passos, na Tijuca. No veículo em que o casal estava, os policiais encontraram a macaca-prego em estado debilitado, além de alimentos utilizados como iscas — frutas, doces, biscoitos e ovos —, cordas, sacos plásticos, medicamentos e uma mochila onde o animal era transportado.
De acordo com a Polícia Federal, a intenção dos suspeitos era vender o animal em feiras clandestinas e redes sociais. O macaco-prego foi encaminhado ao Instituto Vida Livre, onde passará por avaliação veterinária para confirmar se foi ou não dopado com medicamentos, prática comum entre traficantes para facilitar o transporte dos animais.
A chefe do Parque Nacional da Tijuca, Viviane Lasmar, reforçou o alerta contra a alimentação de animais silvestres por visitantes. “Alimentar um macaco-prego, que é uma espécie muito comum no Parque Nacional da Tijuca, faz com que ele perca o medo do ser humano para se alimentar com mais facilidade. Além de expor o animal ao risco de doenças humanas (e vice-versa), fragiliza o seu instinto natural de se manter longe das pessoas, de se manter arisco. Por isso, por melhor que seja a intenção, nunca devemos alimentar nenhum animal silvestre”, afirmou.
Ainda segundo Patricia Lima, do portal Diário do Rio, o homem, de 29 anos, e a mulher, de 26, foram conduzidos à Delegacia da Polícia Federal no Centro da cidade. Ambos têm registros anteriores por crimes ambientais. O homem foi autuado por receptação qualificada, caça ilegal em unidade de conservação e maus-tratos, além de ter o carro e o telefone celular apreendidos. Ele foi levado diretamente para o sistema prisional.
A mulher também foi autuada por crime ambiental e responderá durante o inquérito policial. Ambos serão investigados com base no artigo 24 do Decreto 6.514, que trata de infrações contra a fauna brasileira.
A ação foi resultado de uma força-tarefa que contou com a participação da inteligência do ICMBio, Polícia Federal, Comando de Polícia Ambiental (CPAM), 6º BPM da PMERJ, Polícia Civil e da CIVITAS — Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia da Prefeitura do Rio.
As autoridades também anunciaram a criação de uma força-tarefa permanente, unindo Polícia Federal, ICMBio, IBAMA, PMERJ, Polícia Civil e INEA, para reforçar o combate ao tráfico de animais silvestres em todo o estado do Rio de Janeiro.














