Lavagem de dinheiro: polícia apreende armas e joias em fazenda

Jonnathan Ianovich

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu dezenas de armas de fogo, joias, veículos de luxo e animais em uma fazenda localizada no município de Resende, no Sul Fluminense. O local, avaliado em R$ 5 milhões, seria utilizado como parte de um esquema de lavagem de dinheiro supostamente operado por integrantes do Comando Vermelho.

De acordo com informações de Mariana Queiroz, do Portal G1, a propriedade estaria registrada em nome de um laranja, mas seria controlada por Jonnathan Ianovich, empresário investigado por utilizar empresas e bens para ocultar o lucro obtido com atividades criminosas. Ele foi preso na última terça-feira (13), em Araras, São Paulo.

A ação desta sexta-feira (16) é um desdobramento de uma investigação mais ampla que revelou, dias antes, uma mansão de três andares na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O imóvel, onde Ianovich morava com a família, está avaliado em R$ 25 milhões e contava com boate privativa, bloqueadores de sinal de celular e cofres. Lá, os agentes encontraram fusis, dólares em espécie e documentos que reforçam a suspeita de envolvimento com o crime organizado.

Durante a operação em Resende, os policiais também localizaram 10 cavalos de raça e pássaros exóticos em cativeiro, além de diversos objetos de alto valor. A suspeita é de que a fazenda fosse usada para disfarçar a origem ilícita dos recursos provenientes do tráfico.

Ainda segundo apuração de Mariana Queiroz, do Portal G1, Ianovich mantinha transações com Eduardo Bazzana, proprietário de um clube de tiros em Americana, São Paulo, que também foi preso na segunda-feira (12). Planilhas obtidas pelos investigadores apontam que Bazzana movimentou cerca de R$ 1,6 milhão em apenas um mês, vendendo munições e acessórios de uso restrito para fuzis como AK-47, AR-10 e AR-15.

A investigação revelou ainda que essas armas eram repassadas a Josias Bezerra Menezes, conhecido como Oclinho, que atuava como intermediário do Comando Vermelho. Posteriormente, o armamento era entregue a Luiz Carlos Bandera Rodrigues, o Zeus, apontado como chefe do tráfico em Rondônia e com atuação também na comunidade da Muzema, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.

A delegada Patrícia Uana, que conduz o caso, declarou que os investigados misturavam atividades legais com práticas criminosas para enganar as autoridades. “Nós concluímos que o Eduardo Bazzana estava utilizando sua atividade empresarial para desviar armamento e munições para o Comando Vermelho. Diante disso, hoje realizamos a apreensão de todo o seu material bélico”, afirmou a delegada.

Na quarta-feira (14), a polícia já havia recolhido um caminhão com cerca de 200 armas e 40 mil munições, parte delas encontrada em uma das casas de Bazzana em São Paulo, cuja propriedade ele havia inicialmente negado. O armamento foi encaminhado à Cidade da Polícia para análise.

Tanto Ianovich quanto Bazzana possuem registro de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs), o que, segundo as autoridades, pode ter sido utilizado como fachada para facilitar a movimentação e armazenamento dos armamentos. A defesa dos dois não foi localizada até o momento para comentar as acusações.

A Polícia Civil informou que a operação segue em curso com o objetivo de rastrear bens adquiridos com dinheiro ilícito, identificar outros integrantes do esquema e desarticular completamente a rede criminosa de apoio financeiro ao Comando Vermelho.

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