Bruno Henrique no STJD: julgamento nesta Segunda decide futuro do atacante do Flamengo

Bruno Henrique

O julgamento de Bruno Henrique no STJD ocorre nesta segunda-feira (10), no Rio de Janeiro, e deve definir o futuro do atacante do Flamengo. Condenado em primeira instância a 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil, o jogador foi acusado de forçar um cartão amarelo em 2023 para beneficiar apostadores. Desde então, vem atuando sob efeito suspensivo, enquanto a defesa tenta anular a punição e o Ministério Público busca aumentar a pena.

A decisão será tomada pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, última instância da esfera esportiva no país. O julgamento, que começa às 10h, ocorre no Centro do Rio e deve contar com a presença de representantes do Flamengo e dos advogados de Bruno Henrique. O caso ganhou grande repercussão nacional por envolver também familiares e conhecidos do atleta.

Em setembro, o atacante havia sido condenado por maioria (4 a 1) com base no artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de atitudes contrárias à ética esportiva. O cartão amarelo questionado foi recebido no dia 1º de novembro de 2023, em partida contra o Santos, no Mané Garrincha, pelo Campeonato Brasileiro. As investigações apontaram que o lance teria sido antecipado a familiares e apostadores.

Além de Bruno Henrique, também foram punidos outros quatro envolvidos. O irmão do jogador, Wander Nunes Pinto Junior, recebeu 12 jogos de suspensão; Claudinei Vitor Mosquete Bassan, 14 partidas; e Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos, seis jogos cada. Todos foram acusados de participarem do esquema de apostas relacionadas ao cartão.

A defesa de Bruno Henrique sustenta que o Flamengo não foi prejudicado, alegando que o cartão fazia parte de uma estratégia interna para garantir a presença do atleta em partida decisiva contra o Palmeiras. Durante o julgamento, a defesa afirmou que o clube havia orientado o jogador a tomar o cartão amarelo diante do Santos, a fim de cumprir suspensão contra o Fortaleza. Já a Procuradoria defende que houve benefício pessoal, pois Bruno teria antecipado a informação ao irmão, que apostou no resultado.

O relator Alcino Guedes votou pela condenação no artigo 243-A, fixando pena mínima de 12 partidas e multa de R$ 60 mil. Outros auditores, como William Figueiredo, Carolina Ramos e o presidente Marcelo Rocha, acompanharam o voto. Apenas Guilherme Martorelli divergiu, pedindo absolvição do artigo 243-A e condenação no 191, que prevê infração de deveres desportivos, com multa de R$ 100 mil.

O julgamento anterior, marcado para o fim de outubro, havia sido adiado por conta da megaoperação policial nos Complexos da Penha e do Alemão. Agora, com o caso retomado, o STJD volta a analisar todos os recursos apresentados. O órgão também poderá decidir se a punição, caso mantida, será estendida para competições internacionais — o que exigiria solicitação formal da CBF à Fifa.

O processo corre paralelamente à esfera criminal. Bruno Henrique foi indiciado pela Polícia Federal por estelionato e fraude em competição esportiva após investigações que começaram em agosto de 2023. Três casas de apostas detectaram movimentações suspeitas relacionadas a cartões aplicados ao atacante naquela partida contra o Santos. O Ministério Público do Distrito Federal ofereceu denúncia em junho deste ano. Se condenado na Justiça comum, o jogador pode enfrentar pena de até 17 anos e oito meses de prisão.

A decisão do Pleno do STJD é definitiva na esfera esportiva brasileira, mas, caso considere injusta, a defesa pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça. O resultado do julgamento de hoje promete ser determinante para o futuro de Bruno Henrique e pode ter reflexos diretos também na imagem do Flamengo no cenário esportivo nacional.

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