O cometa 3I/ATLAS voltou a chamar a atenção do meio científico após o renomado astrofísico de Harvard, Avi Loeb, publicar um artigo em que sugere que o corpo celeste pode, na verdade, ser uma nave espacial alienígena. Segundo ele, o tamanho gigantesco e as propriedades incomuns do objeto o tornam improvável como uma formação natural. Loeb estima que o cometa seja ao menos um milhão de vezes maior do que asteroides conhecidos que já visitaram o Sistema Solar.
Em texto publicado em seu blog, o cientista explica que o 3I/ATLAS teria uma massa superior a 50 bilhões de toneladas e que os jatos observados em sua superfície poderiam ser interpretados como propulsores tecnológicos. “A massa estimada de mais de 50 bilhões de toneladas é pelo menos um milhão de vezes maior que a massa estimada de 1I/Oumuamua”, escreveu Loeb, referindo-se ao primeiro objeto interestelar identificado pela ciência em 2017.
De acordo com o pesquisador, a probabilidade de um corpo natural tão colossal entrar no Sistema Solar é mínima. “Como mostrei em meu artigo, não há material rochoso suficiente no espaço interestelar para acomodar a chegada de uma rocha gelada tão gigante ao sistema solar interno durante nosso período de pesquisa de uma década”, destacou. Para ele, a explicação mais coerente seria uma origem artificial, talvez uma espaçonave projetada por uma civilização avançada.
Loeb argumenta que, se os jatos observados forem realmente propulsores, o consumo de massa necessário para o deslocamento seria consideravelmente menor do que o de um cometa comum. “Propulsores iônicos atingem velocidades de ejeção de 10 a 50 quilômetros por segundo. A tecnologia alienígena pode empregar propulsores ainda mais eficientes, reduzindo a perda de massa necessária e tornando o combustível menos de um por cento da massa da espaçonave”, explicou o cientista.
A hipótese foi apresentada enquanto o cometa 3I/ATLAS se aproxima da Terra. A NASA informou que o objeto estará mais próximo do planeta em 19 de dezembro. Entre os dias 2 e 25 de novembro, a sonda Jupiter Icy Moons Explorer (JUICE), da Agência Espacial Europeia (ESA), realizará uma série de análises sobre o corpo celeste utilizando instrumentos de alta precisão.
O Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, também identificou gás hidroxila (OH) — um subproduto químico da água — na composição do cometa. Segundo o professor de Física da Universidade de Auburn (EUA), Dennis Bodewits, “quando detectamos água, ou até mesmo seu fraco eco ultravioleta, o OH, em um cometa interestelar, estamos lendo uma mensagem enviada de outro sistema planetário”.
Apesar de muitos cientistas tratarem a teoria de Loeb com cautela, ele mantém a convicção de que o 3I/ATLAS pode representar algo sem precedentes. O pesquisador alertou para a possibilidade de o cometa desencadear um “evento cisne negro” — expressão usada para descrever acontecimentos raros com grande impacto global. Imagens captadas por observatórios no Japão, que supostamente mostram uma “grande nave” próxima ao objeto, e rumores sobre um reforço discreto na defesa planetária da NASA, alimentaram ainda mais o debate sobre o fenômeno.
Avi Loeb, que lidera o Projeto Galileu de Harvard, afirmou ter identificado pelo menos dez características que diferenciam o 3I/ATLAS de um cometa comum. Ele defende que agências espaciais internacionais devem permanecer vigilantes e considerar estratégias de resposta caso a origem artificial do objeto seja confirmada.
Por enquanto, o enigma permanece aberto. A passagem do cometa 3I/ATLAS será acompanhada de perto por cientistas e agências espaciais de todo o mundo, que esperam que as observações da sonda JUICE possam oferecer respostas concretas sobre a verdadeira natureza do visitante interestelar — natural ou não.














