Benny Briolly e Professor Túlio travam disputa no PSOL em Niterói

Benny Briolly e Professor Túlio

A disputa no PSOL em Niterói pela liderança da bancada na Câmara Municipal ganhou contornos de crise pública após acusações graves entre os vereadores Benny Briolly e Professor Túlio. Briolly afirmou que o colega de partido adotou uma postura “machista, racista e transfóbica” durante reuniões do Colégio de Líderes, tentando apagar sua liderança e desconsiderar sua posição como mulher trans na política. Túlio nega as acusações e alega ter respaldo das decisões partidárias para assumir o cargo.

Conforme a apuração de Luiz Felipe Azevedo do Portal EXTRA, o conflito veio à tona no dia 16 de junho, quando, durante uma reunião, Benny foi surpreendida ao ser informada de que não era mais a líder da bancada PSOL/REDE. Segundo uma carta pública de apoio à vereadora, assinada por personalidades como a cantora Mc Carol e a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), além de organizações como Justiça Global e Mulheres Negras Decidem, a parlamentar foi destituída na presença de 18 homens sem aviso prévio ou comunicação formal à Câmara Municipal.

“No dia 16 de junho de 2025, durante uma reunião do Colégio de Líderes na Câmara Municipal de Niterói, Benny sofreu mais uma violência ao ser surpreendida pelo vereador, do PSOL-Niterói, que ela não era mais a líder da bancada (PSOL/REDE). Ela foi impedida de usar seu voto como única mulher líder e destituída na frente de 18 homens. Ela não foi avisada previamente pelo novo líder, nem a Câmara foi oficiada pelo partido, como manda o protocolo”, afirma a carta pública.

Em nota, Professor Túlio refutou as acusações e declarou que “somente houve uma divergência sobre quem ocupa, nesta legislatura, ou seja, desde janeiro, a liderança da bancada”. Segundo ele, a liderança foi definida pelo partido de forma “legítima e democrática” e reafirmada pelo Procurador-Geral da Câmara, que destacou o regimento interno como critério.

“O PSOL de Niterói já tinha decidido sobre a liderança da bancada anteriormente, de forma legítima e democrática, e até então não questionada pela vereadora, e eu reafirmei para a parlamentar a posição do partido”, afirmou Túlio em comunicado.

PSOL se posiciona

O diretório municipal do PSOL em Niterói também se manifestou, declarando que Professor Túlio foi escolhido como líder da bancada conforme decisão interna do partido. A nota enfatiza que a sigla mantém uma posição clara de oposição ao governo municipal de Rodrigo Neves (PDT), e criticou Briolly por suposto alinhamento com a gestão.

“Respeitamos a vereadora Benny Briolly, eleita pelo partido, contudo já é de conhecimento público e do partido que ela não vem seguindo essa orientação ao adotar uma postura de alinhamento com o governo”, diz o comunicado da legenda.

Como exemplo, o partido citou a participação de Briolly em uma reunião com o prefeito e vereadores da base governista, em 4 de junho, reforçando o argumento de que a parlamentar estaria em desacordo com a orientação política do PSOL.

Apoio a Benny Briolly

Por outro lado, a carta em defesa de Benny acusa o diretório municipal de expor a vereadora de maneira sistemática e desproporcional. “Não é justo os ataques que essa instância municipal vem engendrando contra uma parlamentar que é um patrimônio do estado do Rio de Janeiro por razões que não justificam a proporção das exposições odiosas”, diz o documento.

A crise escancarou um racha dentro do PSOL niteroiense, trazendo à tona debates sobre representatividade, violência política de gênero e os desafios enfrentados por mulheres trans na política brasileira.

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