Moradores e comerciantes da Zona Sul do Rio convivem há semanas com uma situação que tem causado irritação e prejuízos. O barulho de geradores em Copacabana, instalado para dar suporte após falhas no fornecimento de energia, passou a fazer parte da rotina de quem vive e trabalha no bairro, especialmente desde o início do ano.
Segundo relatos de moradores e comerciantes, as quedas de energia têm ocorrido de forma frequente, afetando diretamente o funcionamento de restaurantes, mercados e outros estabelecimentos. Em muitos casos, os apagões duram poucos minutos, mas se repetem várias vezes ao longo do dia, causando transtornos e danos a equipamentos.
O comerciante Rodrigo Câmara, de 54 anos, contou que os problemas se intensificaram a partir do domingo de Carnaval. De acordo com ele, as interrupções constantes no fornecimento de energia afetaram diretamente o funcionamento do restaurante onde trabalha.
“De segunda-feira até ontem, a cada dez minutos a luz caía, nos obrigando a fechar a casa 13h. Não tem como ninguém fazer sua refeição em um restaurante com muito calor, porque sem ar-condicionado e ainda o calor da cozinha, que vem todo pro salão quando o exaustor não está funcionando, não dá. Eu já tive dois equipamentos queimados, um deles foi justamente o estabilizador do computador, e o outro foi um compressor de um refrigerador que eu tenho a impressão, o técnico não veio ainda, que ele parou por conta das quedas de energia toda hora”, disse em depoimento ao jornal O Dia.
Além das interrupções no fornecimento de luz, comerciantes também reclamam do barulho e do cheiro provocados pelos equipamentos instalados nas ruas. Segundo Rodrigo, o ruído constante tem afetado tanto trabalhadores quanto clientes da região.
“O barulho é muito chato, eu aqui ouço, mas tem lugares piores, como o supermercado aqui em frente, que as operadoras de caixa estão praticamente dentro do gerador, que é um barulho absurdo e muita queixa também do cheiro de diesel, de óleo queimado”, acrescentou em depoimento ao jornal O Dia.
Outro comerciante da região, o gerente administrativo Adimilson Caxias, de 66 anos, afirmou que o barulho constante tem afastado clientes e prejudicado o movimento nos estabelecimentos.
“Muito cliente sai e não está voltando. A gente mal consegue falar por causa do barulho. E é direto, é a noite toda, a gente não aguenta mais, eu já não aguento mais. A gente vai embora e fica com os barulho no ouvido. Isso gera um desconforto aqui e em casa”, relatou em depoimento ao jornal O Dia.
Quem trabalha nas ruas próximas aos equipamentos também sente os impactos. Antônio Pereira, vendedor de temperos, contou que os geradores e os fios instalados na área acabam dificultando a circulação de pedestres e trabalhadores.
“Atrapalha a circulação das pessoas também, esses fios na frente atrapalham muito idosos, até pessoas de bicicleta, os entregadores de supermercado, essas coisas todas. Também tem apagão, ficamos horas sem energia e depois volta de novo. Eu fico aqui até 14h, no começo eu estava com um pouquinho de dor de cabeça, mas agora eu acho que estou até acostumado”, relatou em depoimento ao jornal O Dia.
Moradores também demonstram preocupação com a situação. A psicóloga Gisele Nicolaevski destacou que os problemas afetam não apenas comerciantes, mas também quem vive ou circula pela região.
“Eu fico pensando quando é que vai acabar. É um absurdo isso que está acontecendo em Copacabana, não é um bairro novo, é um bairro antigo, é um bairro que já foi dos melhores bairros do Rio de Janeiro, ficar sem luz é impensável, é o fim do mundo. Hoje em dia tudo você precisa da luz, para internet, para as coisas, os caixas, é tudo eletrônico, não tem mais nada manual, pra mim é o fim do mundo, é insuportável, muito ruim para o comércio, para os turistas e para todo mundo”, afirmou em depoimento ao jornal O Dia.
Em nota, a concessionária Light informou que os geradores instalados na região são temporários e servem para dar suporte às equipes técnicas durante a recomposição do sistema elétrico do bairro. A previsão da empresa é que os equipamentos sejam retirados até o dia 27 de março, quando a obra deve ser concluída.
No início do ano, moradores de Copacabana e do Leme chegaram a enfrentar um apagão que durou quatro dias. Na ocasião, a concessionária informou que o problema ocorreu após um furto de cabos, o que afetou a rede subterrânea da região e exigiu intervenções emergenciais.
Enquanto as obras não são finalizadas, moradores e comerciantes continuam convivendo com apagões e com o barulho constante dos equipamentos espalhados pelas ruas do bairro.
E a pergunta que ecoa entre moradores e comerciantes é simples: até quando Copacabana terá que conviver com o barulho de geradores e as quedas de energia?














