Uma proposta de delação premiada enviada à Justiça revelou acusações graves contra políticos com atuação no Rio de Janeiro. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e ACM Neto teriam cobrado 10% de propina para abrir as portas do Rioprevidência e da Cedae para investimentos do falido Banco Master.
Segundo o relato do ex-banqueiro, as facilidades políticas permitiram que o Banco Master captasse cerca de R$ 2 bilhões junto a institutos de previdência estaduais e órgãos públicos. As articulações teriam gerado uma promessa de comissão de até R$ 200 milhões para os parlamentares. No entanto, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República recusaram a proposta de colaboração por falta de provas inéditas e garantias de devolução do dinheiro público.
Esquema no Rioprevidência e na Cedae visava recursos estaduais
A apuração aponta que o esquema atingiu diretamente os cofres públicos do estado do Rio de Janeiro. As investigações mostram que o Banco Master utilizava contratos de fachada com empresas e escritórios de advocacia para disfarçar o pagamento de propina. O objetivo era garantir que o fundo de pensão dos servidores fluminenses e a companhia de saneamento aplicassem seus recursos na instituição financeira privada.
No caso do Rioprevidência, as investigações da Polícia Federal já levaram à prisão do ex-presidente do órgão, Deivis Marcon Antunes, em fevereiro deste ano. Ele teria sido indicado para o cargo por influência direta de Rueda em negociação com o governo estadual. A aplicação dos recursos no banco gerou prejuízos milionários para o fundo responsável pelo pagamento das aposentadorias dos servidores do Rio.
O que já se sabe sobre as investigações do Banco Master
O Banco Master sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central após a descoberta de um rombo nas contas da instituição. A quebra do sigilo bancário confirmou repasses de valores para empresas ligadas aos políticos citados na delação. As autoridades tentam rastrear o caminho do dinheiro para confirmar se os pagamentos foram feitos com verba desviada dos cofres fluminenses.
Como a proposta de delação de Vorcaro acabou rejeitada pelos procuradores da República, o ex-banqueiro tenta apresentar novos documentos para fechar o acordo. Para ter validade jurídica, as declarações precisam ser comprovadas com recibos, extratos e registros de conversas. As defesas dos citados negam veementemente as acusações e afirmam que os relatos são falsos.
Quem responde por isso e o que dizem os citados
A investigação é conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal. Em nota enviada à imprensa, Antônio Rueda declarou que não teve acesso ao documento citado e negou ter cometido qualquer irregularidade em negociações públicas. Já a defesa de ACM Neto classificou o conteúdo do depoimento como absurdo, fantasioso e mentiroso.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro e os órgãos citados informaram que colaboram com as investigações das autoridades federais. O processo corre em segredo de Justiça na Polícia Federal, e novas diligências devem ocorrer nos próximos dias para apurar o tamanho do prejuízo provocado ao Rioprevidência.
Como fica a situação do aposentado do Rio de Janeiro
Apesar do rombo deixado pelas aplicações sem garantia no Banco Master, o pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio continua garantido por lei. O Tesouro Estadual é obrigado a cobrir eventuais deficits do fundo previdenciário para não deixar os beneficiários sem pagamento na data prevista.
Para o servidor público fluminense, a principal consequência dos desvios e da má gestão é o comprometimento do caixa do estado. O dinheiro gasto para cobrir o prejuízo do fundo deixa de ser investido em áreas prioritárias como saúde, segurança e transporte público na Baixada Fluminense e na capital.
O que fazer se você foi vítima de golpes ou fraudes financeiras
Se você suspeita de irregularidades, cobranças indevidas ou fraudes em consignados e benefícios previdenciários, é importante buscar os canais oficiais para registrar o problema e proteger seu patrimônio:
- Atendimento do Rioprevidência: Ligue para o SAC no telefone 0800 285 2191 ou vá a um dos postos de atendimento mediante agendamento no portal do órgão.
- Polícia Civil do Rio de Janeiro: O boletim de ocorrência por estelionato ou fraude pode ser feito presencialmente na delegacia do seu bairro ou pela Delegacia Eletrônica.
- Disque Denúncia: Para relatar esquemas de corrupção ou fraudes contra os cofres públicos de forma anônima, ligue para o número (21) 2253-1177, disponível 24 horas.















