Atraso no pagamento de taxas de condomínio cresce 62% no Rio

Barra da Tijuca

O atraso no pagamento de taxas de condomínio teve um crescimento expressivo em 2025 no Rio de Janeiro, de acordo com dados divulgados pela administradora APSA. O levantamento apontou uma elevação de 62% na taxa de impontualidade em comparação com o mesmo período de 2024.

Em março do ano passado, o índice de inadimplência estava em 13%. Já no mesmo mês deste ano, o percentual subiu para 21%, revelando uma piora significativa no cumprimento das obrigações por parte dos condôminos. A maior parte das dívidas está concentrada nos primeiros 30 dias após o vencimento dos boletos, mas 5% dos moradores seguem inadimplentes mesmo após esse prazo.

O cenário reflete as dificuldades econômicas enfrentadas por uma parcela significativa da população carioca, especialmente nas regiões periféricas da cidade. A combinação entre inflação, desemprego e instabilidade financeira tem impactado diretamente no orçamento familiar, comprometendo o pagamento de despesas básicas, como as cotas condominiais.

A pesquisa, citada na coluna de Ancelmo Gois no jornal O GLOBO, também revelou quais são os bairros mais afetados pelo problema. Guaratiba lidera o ranking com 45% de inadimplência, seguido de Abolição (44%) e Campo Grande (42%). Em todos esses locais, o estudo identifica uma tendência de aumento da vulnerabilidade econômica, refletida no alto índice de atraso.

Por outro lado, bairros de classe média e alta apresentaram os menores índices de inadimplência, demonstrando uma maior estabilidade financeira dos moradores. Flamengo (10%), São Conrado (11%) e Botafogo (12%) registraram os percentuais mais baixos entre os quase 3 mil condomínios analisados pela APSA na cidade do Rio de Janeiro.

Segundo especialistas do setor imobiliário, a inadimplência condominial pode gerar efeitos em cascata para os próprios moradores, como a redução de serviços, atraso em manutenções e aumento na taxa condominial para cobrir o rombo. Por isso, a orientação é que síndicos e administradoras adotem estratégias de negociação, reforço na comunicação com os condôminos e ações preventivas para evitar a judicialização.

O crescimento no atraso das taxas condominiais também reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas voltadas ao apoio financeiro em áreas mais afetadas economicamente, além de estimular iniciativas comunitárias para lidar com a crise.

Com a perspectiva de continuidade nas dificuldades econômicas nos próximos meses, o tema deve seguir em pauta nas assembleias condominiais e nas discussões sobre gestão urbana e moradia na capital fluminense.

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