Tarcísio sobre investigação de Milton Leite: “Não existe aliado nem adversário” em apurações do estado

Tarcísio de Freitas afirma que investigações devem ser imparciais, independentemente de alianças políticas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou nesta sexta-feira (18/9) que a polícia e o Ministério Público do estado devem tratar todos de forma igualitária em investigações, sem distinção entre aliados ou adversários políticos. A declaração surge em meio à operação que apura a infiltração do PCC no sistema de transporte público e que tem como um dos alvos o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil).

Durante evento na Vila Leopoldina, zona oeste da capital, Tarcísio enfatizou que a atuação das instituições estaduais é pautada pela imparcialidade. “A gente não tem aqui, não existe aliado, adversário, não existe partido A, partido B, pessoa A, pessoa B”, afirmou o governador, ressaltando que a existência de fatos ou indícios deve ser o suficiente para iniciar uma apuração.

As declarações foram dadas em coletiva de imprensa e seguem a linha de que, uma vez que haja elementos que mereçam investigação, as pessoas envolvidas deverão prestar esclarecimentos, sempre respeitando o contraditório e o amplo direito de defesa. Tarcísio de Freitas reiterou que sua gestão adota um secretariado técnico e não consulta partidos para preencher cargos, o que, segundo ele, tem sido visto como um distanciamento da política.

Relação institucional com Milton Leite, diz governador

Questionado sobre sua relação com Milton Leite, Tarcísio classificou-a como estritamente institucional. Ele detalhou que as conversas com o ex-vereador se concentravam em demandas de infraestrutura e saneamento para a zona sul da capital, citando projetos como as empresas de Guarapiranga e Billings, a Rodovia Régis Bittencourt e a extensão do sistema ferroviário até Parelheiros. O governador ressaltou que Milton Leite não ocupava nenhuma posição em seu governo.

Parceria anterior e o caso Sabesp

Contudo, a definição de uma relação meramente institucional por parte de Tarcísio veio após a deflagração da operação. Anteriormente, em 30 de agosto, o governador participou do lançamento das candidaturas dos filhos de Milton Leite, Alexandre e Milton Leite Filho, e mencionou uma “parceria enorme” com a família. Na ocasião, Tarcísio destacou que, ao chegar em São Paulo, foi “abraçado” por eles e viu a “preocupação com as pessoas”.

Milton Leite também teve um papel na articulação de uma medida importante da atual gestão estadual. Quando presidia a Câmara Municipal, ele atuou para viabilizar as mudanças legislativas necessárias na capital paulista para o avanço da privatização da Sabesp. Essa colaboração demonstra a proximidade anterior entre ambos.

Investigação apura infiltração do PCC no transporte público

A Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público. A investigação aponta a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior”. Ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo em São Paulo seriam controladas pelo PCC.

Segundo as autoridades, essa infiltração ocorre por meio de uma estrutura organizada que utiliza empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de dinheiro. Os criminosos usariam sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários, que seriam membros do PCC. Ajustes prévios em licitações e contratos emergenciais também teriam sido promovidos.

As facilidades no setor seriam obtidas em troca de financiamento de campanhas eleitorais e cooptação de agentes públicos. O dinheiro do crime seria injetado no setor através da negociação de veículos e compra/venda de frotas de ônibus, com repasse de comissões e movimentação de valores entre contas de empresas e investigados. A investigação também identificou um núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, composto por advogados e operadores ligados à facção, responsáveis por intermediar negociações contratuais e gerenciar repasses.

Um trecho do documento da investigação resume que a atuação investigada extrapola o tráfico de drogas, abrangendo o uso de empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde, com atuação coordenada em benefício do PCC.

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