O ato do Dia da Mulher em Copacabana reuniu centenas de pessoas neste domingo na orla da Zona Sul do Rio de Janeiro. A mobilização foi marcada por protestos contra o feminicídio, o estupro e outras formas de violência de gênero, além de reivindicações por mais segurança e respeito às mulheres.
Com cartazes, faixas e cruzes fincadas na areia, as manifestantes denunciaram o aumento da violência contra mulheres e lembraram vítimas de feminicídio. A manifestação contou com a participação de mais de 80 entidades, incluindo sindicatos, movimentos populares, coletivos feministas e representantes de mandatos parlamentares.
Entre as autoridades presentes estavam a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; a deputada federal Benedita da Silva (PT); a deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão da Mulher da Alerj; e a vereadora do Rio Mônica Benício (PSOL), viúva da ex-vereadora Marielle Franco.
Também participaram da mobilização a secretária municipal de Meio Ambiente, Tainá de Paula, e o ativista de direitos humanos e da liberdade religiosa Ivanir dos Santos.
Horas antes do início do ato, integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizaram uma ação simbólica na praia, com cruzes fincadas na areia e o lema “Parem de nos matar”, chamando atenção para o agravamento dos casos de violência contra mulheres.
“Nós queremos que os homens, os nossos filhos, netos e amigos entendam que a mulher é parceira de vida e quando o relacionamento chegar ao final, que um vá cada um para o seu lado e a vida que segue. Nós queremos estar vivas, só isso! É a mulher que gera a vida, é a mulher que traz o ser humano ao mundo. Então é injusto, pelo simples fato de nós sermos mulheres, nós que geramos a vida, sermos mortas. Parem de nos matar”, afirmou Raimunda Leone, secretária-geral da CTB.
Histórias de vítimas de feminicídio também marcaram o ato. Adriana Atanasio, líder sindical e parente de uma vítima assassinada há 22 anos, relatou a dor da família e criticou a falta de justiça no caso.
“Ela terminou o relacionamento por conta de uma traição. Depois disso, ele começou a persegui-la no local de trabalho e chegou a dizer que iria matá-la. Mas ninguém imaginou que fosse chegar a esse ponto”, contou Adriana.
Segundo ela, a família enfrentou uma longa batalha judicial, mas o caso acabou sem condenação.
“Foi 10 anos em que a família ficou frente a frente com o suposto acusado. No fim, um juiz disse que havia insuficiência de provas. Então, infelizmente, o caso não foi julgado e ele não foi preso. A família ficou completamente destruída”, lamentou.
A manifestação reuniu mulheres de diferentes regiões da cidade. A influenciadora Andressa Cacau, que saiu de Guaratiba para participar do ato, destacou a importância da mobilização.
“Eu desejo o fim da misoginia. Tudo isso que vem acontecendo é impactante, me assusta muito. Eu vim de bem longe de Copacabana para lutar contra essa violência toda. A gente não pode se calar”, disse.
Outras participantes também reforçaram que a mobilização é necessária diante da realidade enfrentada pelas mulheres no país.
“O que me traz aqui hoje é a luta pela defesa das mulheres, para que a gente possa estar juntas, unidas, em prol da segurança e para dar um basta no feminicídio”, afirmou a educadora Rejane Delaet.
Dados recentes reforçam a preocupação dos movimentos sociais. Em 2025, o Brasil registrou 1.518 feminicídios, o maior número da série histórica. No município do Rio, registros da Secretaria Municipal de Saúde indicam que, no mesmo ano, uma mulher foi vítima de violência a cada 36 minutos.
Para os organizadores do ato, a mobilização na orla de Copacabana representa um chamado para que a sociedade enfrente de forma mais firme a violência de gênero — e para que as mulheres continuem ocupando as ruas na luta por direitos, segurança e igualdade.














