Assalto na Penha reacende medo em bairro ainda marcado por confronto

Assalto na Penha

Um assalto na Penha voltou a expor o clima de insegurança na região da Zona Norte do Rio de Janeiro, ainda abalada pela megaoperação policial que deixou 121 mortos no Complexo da Penha e do Alemão nesta semana. O crime aconteceu na noite desta quinta-feira (30), na Praça Santa Emiliana, mais conhecida como Iapi, e foi registrado por moradores de prédios próximos.

Nas imagens, quatro homens armados abordam um casal que passava de moto pelo local. As vítimas levantam as mãos enquanto os criminosos sobem no veículo e fogem. É possível ouvir o choro da mulher após o roubo. O vídeo, amplamente compartilhado nas redes sociais, gerou revolta entre moradores da região.

O crime ocorreu em frente a uma cabine da Companhia Independente do 16º BPM (Penha). Apesar da proximidade, a Polícia Militar informou que não recebeu acionamento durante o ocorrido. A gravação foi divulgada pelo perfil Agenda do Poder no X (antigo Twitter), onde rapidamente ganhou repercussão.

O episódio aconteceu apenas três dias depois da maior operação já realizada contra o Comando Vermelho no estado, que mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar. A ação, realizada na última terça-feira (28), resultou em 81 prisões e 121 mortes — entre as vítimas, estavam quatro policiais, dois civis e dois agentes do Bope.

Mesmo após a operação, a Penha segue considerada uma das áreas mais conflagradas do Rio. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, na Área Integrada de Segurança Pública (AISP) 16, que abrange o bairro, foram registrados 66 roubos de veículos em setembro de 2025 — uma redução de 63% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve 180 casos.

Ainda assim, moradores afirmam que a sensação de insegurança permanece. “O que mudou depois da operação? Iapi, pra quem não conhece, é entre Olaria e Penha. Nem aqui a violência diminuiu”, comentou um morador nas redes sociais. Outro desabafou sobre a presença policial: “Ah, não estou acreditando, cara. Não tem nem 100 metros da polícia”.

A Polícia Civil ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação.

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